Bolsas europeias recuam após ataque dos EUA ao Irã e incertezas sobre acordo
Tensões geopolíticas e dúvidas sobre negociações de paz afetam desempenho dos principais índices; Londres é exceção e fecha em alta
As bolsas europeias encerraram a sessão desta terça-feira, 26, majoritariamente em baixa, devolvendo parte dos ganhos registrados no início da semana. O movimento negativo foi impulsionado pelo aumento das tensões no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos ao Irã, ampliando o ceticismo quanto ao avanço das negociações de paz. Em contrapartida, a Bolsa de Londres destoou do cenário e fechou em alta, beneficiada pela retomada das negociações após feriado.
Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,24%, alcançando 10.491,39 pontos. Já o DAX, em Frankfurt, recuou 0,72%, para 25.205,92 pontos. O CAC 40, em Paris, caiu 1,03%, a 8.173,11 pontos. Em Milão, o FTSE MIB teve queda de 0,64%, fechando em 49.899,22 pontos. O Ibex 35, de Madri, perdeu 0,47%, a 18.300,36 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 cedeu 0,31%, terminando a 9.195,51 pontos. Os dados são preliminares.
O otimismo observado na segunda-feira, diante do aparente arrefecimento das tensões na região, deu lugar à cautela. O Comando Central dos EUA (Centcom) informou ter realizado ataques de "autodefesa" no sul do Irã. Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores iraniano acusou Washington de violar o cessar-fogo vigente ao promover "ações ilegais e provocativas" contra embarcações do país no Golfo Pérsico.
Segundo Daniela Hathorn, analista da Capital.com, o mercado se vê diante de um "impasse confuso", no qual o cessar-fogo é, em grande parte, mantido, mas episódios pontuais de violência e retrocessos diplomáticos continuam a minar a confiança dos investidores e afetar os fluxos de energia.
Entre os destaques do pregão, as ações da BP recuaram 4,55% após o anúncio de mudança na presidência do conselho, motivado por preocupações relacionadas à conduta. Por outro lado, os setores de mineração e indústria sustentaram o desempenho positivo da Bolsa de Londres.
A Ferrari registrou perdas de cerca de 8% em Milão, após o lançamento do seu primeiro carro totalmente elétrico não ser bem recebido pelo mercado. Ainda no setor automotivo, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que a Stellantis (+0,90%) investirá mais de 1 bilhão de euros para produzir uma nova geração de veículos elétricos no país a partir de 2029.
No campo da política monetária, Philip Lane, economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), afirmou que a instituição não precisa corrigir especulações sobre alta de juros. Já Isabel Schnabel, também dirigente do BCE, destacou que o banco deve elevar as taxas em junho.