CASO HENRY BOREL

Advogadas deixam defesa de Monique Medeiros após divergência de estratégia

Florence Rosa e Amanda Melo anunciaram saída do caso depois do julgamento em que Monique recebeu perdão judicial; Ministério Público recorreu da decisão

Por Estadao Conteudo Publicado em 12/06/2026 às 11:45
Monique Medeiros Reprodução

As defensoras Florence Rosa e Amanda Melo anunciaram na quinta-feira, 11, que deixaram a defesa de Monique Medeiros, acusada pela morte do filho Henry Borel, de 4 anos. Monique recebeu perdão judicial após julgamento no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.

Florence afirmou que pretendia seguir a defesa de Monique na fase recursal. Segundo ela, porém, a entrada de um novo advogado na equipe e uma “incompatibilidade legítima de estratégias defensivas” levaram à decisão de abandonar o caso.

"A divergência quanto à condução técnica é circunstância natural do exercício da advocacia, e a coerência estratégica é pressuposta da plenitude de defesa. Registramos nosso respeito ao cliente e os votos de que sua defesa prossiga com todo o zelo", afirmou em publicação nas redes sociais.

Florence foi uma das responsáveis ​​pela sustentação da defesa de Monique no Tribunal do Júri mais longo da história do Rio de Janeiro. Foram 11 dias de depoimentos e debates entre acusação e defesa da mãe de Henry Borel e do ex-vereador Jairo Souza Santos, o Jairinho. O ex-parlamentar foi condenado a 43 anos pela morte da criança.

Amanda Melo também informou que sua participação no caso ocorreu por contratação e em atuação conjunta com Florence.

"Havia da nossa parte, a disposição de obrigações na fase recursal, em razão do recurso pendente. Contudo, diante da constituição de um novo defensor, da adoção de nova estratégia defensiva e do encerramento da atuação da Dra. Florence Rosa no caso, encerra-se igualmente minha participação no caso", escreveu nas redes sociais.

Entenda a decisão sobre Monique Medeiros

Monique teve o homicídio por omissão desclassificada para homicídio culposo e recebeu perdão judicial. A juíza Elizabeth Machado Louro determinou a soltura de Monique. O Ministério Público recorreu da decisão.

Ela foi responsabilizada pela omissão em apenas um caso de tortura contra o filho. A pena, de 1 ano e quatro meses, no entanto, já foi cumprida pela professora. O pai de Henry, Leniel Borel, deverá receber peças de danos morais de R$ 400 mil, a serem pagos por Jairinho.

“Desde a investigação, Monique não mereceu o benefício da dúvida e ao longo do processo, embora fosse apontada como mãe zelosa, e não tenha sido acusada de infligir diretamente agressões físicas a seu filho, a revolta evoluiu rapidamente para franco massacre nas redes sociais, com ataques muito mais virulentos do que aqueles dirigidos ao autor direto”, afirmou a magistrada durante a sentença.