Levante de Soweto: conheça o episódio que consolidou a África do Sul como espaço de resistência
Em 1976, estudantes negros sul-africanos protestaram em Soweto contra a imposição do africâner nas escolas e contra o regime do Apartheid.
A repressão foi violenta e deixou centenas de mortos e feridos, no episódio que ficou conhecido como Levante de Soweto.
O episódio tornou-se um marco da luta contra a segregação racial e ajudou a ampliar a pressão internacional sobre o governo sul-africano.
Hoje, 50 anos depois, o Levante de Soweto é lembrado como símbolo da resistência popular e da participação da juventude nas mudanças políticas da África do Sul.
À Sputnik Brasil, Laura Ludovico, advogada especialista em direito internacional público, afirma que o levante marcou o início do enfraquecimento do Apartheid, embora o fim do regime só tenha ocorrido 18 anos depois.
“Antes de 1976, essa resistência era muito dispersa, era um movimento de consciência negra isolado, um outro em relação às mulheres. Então esse levante de Soweto unificou essas frentes porque a pauta, que era educação, tocava todas as famílias.”
Marcos Paulo Amorim, historiador, aponta que o legado deixado pelo Levante de Soweto se converteu em soft power, com o país exportando uma imagem de espaço de resistência.
“A África do Sul passa a exportar também isso. Não só a cultura, a cultura sul-africana, a questão da conciliação, o debate internacional sobre o Apartheid. Formula políticas sobre isso, denuncia questões de Apartheid internacionalmente, mas também passa a exportar esse espaço da resistência.”
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Por Sputnik Brasil.