COMÉRCIO EXTERIOR

Importações de alimentos russos crescem na Ásia, África e Oriente Médio

Rosselkhozbank aponta alta nas exportações agrícolas da Rússia em meio à instabilidade no estreito de Ormuz e à previsão de efeitos do El Niño

Por Sputnik Brasil Publicado em 21/06/2026 às 05:21
Produtos agrícolas russos têm maior procura na Ásia, África e Oriente Médio © Sputnik / Aleksei Malgavko / Acessar o banco de imagens

Países da Ásia, África e Oriente Médio ampliaram as compras de produtos alimentícios russos diante das incertezas no estreito de Ormuz e das preocupações com a aproximação do fenômeno climático El Niño. A informação foi divulgada pelo banco estatal russo Rosselkhozbank (RSHB) à Sputnik neste domingo (21).

O El Niño é caracterizado por temperaturas da superfície do mar excepcionalmente elevadas no oceano Pacífico equatorial. As mudanças de temperatura podem provocar grandes perturbações climáticas em diferentes partes do mundo, com secas em algumas regiões e inundações em outras.

Segundo o banco, nos quatro primeiros meses de 2026, as exportações agrícolas russas cresceram 4,9 milhões de toneladas, o equivalente a 21,8%, em comparação com o mesmo período do ano passado.

“Em particular, em meio à instabilidade no estreito de Ormuz e às flutuações climáticas previstas relacionadas ao El Niño, muitos países da Ásia, África e Oriente Médio estão acumulando estoques agrícolas por preocupação com a possível escassez de fertilizantes e secas”, afirmou o banco.

De acordo com o RSHB, as exportações russas de alimentos para a China aumentaram mais de um terço entre janeiro e abril de 2026, na comparação com o ano anterior. O Egito elevou as importações de óleo de girassol russo em mais de 25% e de grão-de-bico seco em 74%. Já a Argélia ampliou as compras de óleo de soja russo em mais de um quarto, informou a instituição.

A Rússia também aumentou em 89% as exportações de carne suína e derivados para a China em relação ao ano anterior, chegando a 37 mil toneladas. Segundo o RSHB, esse volume já corresponde a quase metade do total exportado pelo país à China no ano passado.

“Os exportadores russos de alimentos se beneficiam de diversas vantagens competitivas importantes, incluindo volumes de produção estáveis, rotas logísticas consolidadas, relações amistosas com importadores na Ásia e na África e, claro, alta qualidade dos produtos. Isso facilita sua expansão, inclusive para segmentos premium de mercados de alta margem, como a China e o mundo árabe”, declarou o Centro de Expertise Industrial do RSHB.

Previsões divulgadas pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo em maio indicavam que as temperaturas do oceano Pacífico poderiam subir mais de três graus Celsius acima do normal até setembro-outubro. O cenário poderia marcar o segundo pico de temperatura mais alto do El Niño já registrado.

Por Sputnik Brasil