MOBILIZAÇÃO

Ato em São Paulo defende legalização da maconha e regulamentação da cannabis

18ª Marcha da Maconha reuniu apoiadores, ativistas e organizações na Avenida Paulista neste domingo

Por Agência Brasil Publicado em 21/06/2026 às 19:36
Manifestantes participam da 18ª Marcha da Maconha na Avenida Paulista, em São Paulo

Dezenas de milhares de pessoas participaram, na tarde deste domingo (21), de um protesto pela legalização da maconha no país. A mobilização ocorreu em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), onde manifestantes criticaram os efeitos da criminalização da planta.

Segundo o grupo, a proibição sobrecarrega o sistema prisional e reforça preconceitos contra o uso medicinal e terapêutico da cannabis, inclusive em tratamentos de crianças com prescrição médica.

A 18ª Marcha da Maconha reuniu apoiadores, ativistas e organizações ligadas ao debate sobre a regulamentação da cannabis.

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Na Avenida Paulista, camisetas e cartazes denunciaram restrições aos medicamentos durante o ato. Entre as mensagens exibidas estava a frase: “Maconha não mata, mas o feminicídio, sim”. O público da marcha era diverso, com idosos, pais e mães acompanhados dos filhos e jovens adultos.

A professora de educação infantil Stephanie Oliveira participou da mobilização pela primeira vez, acompanhada do namorado. Ela relatou que a mãe, de 47 anos, faz uso de cannabis medicinal para regular o sono e aliviar dores nas costas.

Stephanie disse à reportagem que chegou a hesitar antes de publicar fotos da marcha nas redes sociais, por receio da reação de colegas de trabalho. Ainda assim, afirmou que decidiu não esconder a participação por considerar que o movimento pela legalização discute direitos.

“Não é um assunto tão aberto e eu não converso muito sobre isso na escola com as minhas colegas de trabalho, sendo que a maioria me segue no Instagram. Cheguei a pensar se deveria postar, mas considero o movimento importante. Vou publicar independentemente de julgamentos, porque é uma causa que eu apoio, mesmo não fumando”, afirmou.

De acordo com o anuário da Kaya Mind, principal organização brasileira voltada à sistematização e divulgação de dados nacionais sobre o segmento, atualmente 50 mil pessoas no país declaram se tratar com produtos à base da cannabis sativa.

A publicação, lançada com financiamento da Gravital Clínica Canábica e da Cannect, aponta que a falta de aceitação da planta por grande parte da sociedade dificulta a regulamentação. Conforme o material, diante dessa resistência, as discussões não avançam e apenas pessoas com alto poder aquisitivo conseguem importar itens canábicos.

Levantamento da Bliss Data 2026 indica as mulheres de meia-idade e início da velhice como o principal grupo usuário da cannabis medicinal.