Santoro diz que Brasil reúne a maior carteira mundial de projetos em rodovias e ferrovias
Ministro dos Transportes apontou negociações com investidores estrangeiros, cooperação com Rússia e China e busca por financiamento para ferrovias
O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou em entrevista à Sputnik Brasil que o país trabalha para desenvolver ferrovias, aprimorar a logística interna e ampliar a capacidade de escoamento do comércio brasileiro.
Segundo o titular da pasta, o Ministério dos Transportes mantém uma carteira de projetos voltada à atração de investidores estrangeiros, com o objetivo de expandir e otimizar a malha ferroviária brasileira também no contexto internacional.
"Hoje nós temos a maior carteira tanto de rodovias quanto de ferrovias do mundo e, quando há uma carteira relevante, no setor ferroviário, a gente quer criar projetos e o mercado vai amadurecendo. A participação estrangeira é real. Estamos cooperando com o governo russo em conversas. E com a China, estamos há três anos em discussões com o governo e também com as empresas chinesas", disse.
Santoro ressaltou que a cooperação internacional pode favorecer a transferência de tecnologia, além de contribuir para a qualificação da mão de obra e das empresas locais.
"Quando a gente faz projetos, montam-se consórcios de infraestrutura com empresas estrangeiras, normalmente, eles fazem parceria com o parceiro local também. Em rodovias, isso aconteceu, e vai acontecer também nas ferrovias. Com isso, a gente tem uma transferência de tecnologia, de soluções, de engenharia e de soluções", comentou.
Parceria com o NBD e integração regional na pauta
Outro ponto citado pelo ministro foi a possibilidade de cooperação com o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), também conhecido como Banco do BRICS e NDB na sigla em inglês. A instituição já investiu em projetos de infraestrutura no Brasil e é presidida atualmente por Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil.
"A gente tem discutido com o NDB e com o Asian Bank para gerar funding [investimentos] para a carteira de ferrovias que está em andamento com o BNDES, que lançou uma carteira de 40 anos de prazo. Estamos priorizando esses fundings do NDB e do Asian Bank em parceria com o BNDES para estruturar esses empréstimos de 40 anos. Agora, na missão à China, houve visita ao NDB e ao Asian Bank", destacou.
No campo do multilateralismo regional, Santoro afirmou que o Brasil vem fortalecendo a cooperação bilateral com a Argentina e pretende ampliar o diálogo com outros países da região para desenvolver o setor logístico.
"Fizemos a primeira concessão com o governo argentino da ponte binacional de São Borja. Temos projetos de replicar esse modelo em mais 12 ativos nossos com países da América Latina. Isso possibilita um desembaraço aduaneiro unificado e homologado pelas autoridades dos dois países. É um ganho logístico enorme", observou.
Investimento em infraestrutura é vital para a soberania
Sobre a viabilização do corredor multimodal para ligar a produção nacional ao Porto de Chancay, empreendimento chinês no Peru, o ministro explicou que a estruturação do plano está sob responsabilidade de Pequim. Ele defendeu, no entanto, o fortalecimento dos portos brasileiros no eixo atlântico como estratégia essencial para resguardar a soberania do país, deixando a saída para o Pacífico como alternativa estratégica.
"Acredito que, primeiro, temos que consolidar o corredor atlântico do Brasil com acessos ferroviários. Quando se consolida a saída pelo Atlântico, o caminho seguinte é ter opção para o Pacífico como uma alternativa logística. A prioridade do Brasil é gerar recursos e renda nos portos brasileiros. Até por questões geopolíticas, eu controlo o meu porto. Levar mercadorias para um porto estrangeiro tem que ser uma opção estratégica e não um determinante logístico", pontuou.
Ao final, Santoro afirmou que qualquer investimento previsto para a região Norte precisa considerar critérios ambientais e de sustentabilidade. Segundo ele, o Ministério dos Transportes segue diretrizes específicas na modelagem de seus projetos.
"É preciso ter muito cuidado ao levar investimento para a região Norte, no que diz respeito à sustentabilidade. O Brasil é um país responsável, que está preservando a Amazônia. Todos os projetos têm que ser muito bem pensados. Toda a nossa carteira de projetos é carbono zero e segue diretrizes da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico]", concluiu.
A dinâmica do comércio exterior passa por mudanças em razão de desafios associados a tensões geopolíticas. Nesse contexto, o investimento em infraestrutura logística no território nacional é apontado como essencial, assim como a diversificação de parceiros comerciais e de cooperações internacionais.
Por Sputnik Brasil