ECONOMIA

Durigan aponta razões dos juros altos e defende ajuste fiscal

Ministro da Fazenda destaca a necessidade de harmonia entre políticas fiscal e monetária para conter a inflação.

Por Estadao Conteudo Publicado em 04/07/2026 às 10:56
Ministro Dario Durigan Reprodução / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o maior gargalo da economia brasileira é a elevada taxa de juros, que prejudica os investimentos e pressiona a dívida pública. Mas afirmou que sua pasta é a menos culpada por esse cenário.

“Eu não estou procurando culpados. Porque assim, quem é menos culpado é o Ministério da Fazenda por conta da taxa de juros”, disse o ministro em entrevista ao g1. “Nós temos que discutir qual a razão da taxa de juros estar nesse patamar. O debate fiscal, ele importa para a taxa de juros, mas não é a solução, porque essa é a resposta fácil”, afirmou.

Durigan enfatizou que o que “machuca a dívida pública” atualmente é uma taxa de juros. A Selic está em 14,25%. Na entrevista, ele argumentou que é preciso “harmonizar” a política fiscal com a política monetária do Banco Central para conter a inflação e defender a continuidade do ajuste nas contas públicas.

"Eu acho que o Brasil tem que seguir fazendo um esforço fiscal grande, não é pequeno, para limitar o crescimento da política monetária no que compete ao Ministério da Fazenda. Tudo o que o Ministério da Fazenda pode fazer para melhorar a parte fiscal e harmonizar a política monetária, nós faremos. A preocupação com a inflação é minha também", disse Durigan.

Para ele, é necessário reverter a expansão do gasto obrigatório, já que, se isso não ocorrer, o espaço para cortes em outros gastos, chamados discricionários, tende a diminuir. "Isso vai precisar ser feito, mas sem descartar o arcabouço fiscal. É o arcabouço fiscal que vai nos permitir acomodar a trajetória de receita e despesa no país. Então, o arcabouço fiscal é sustentável e é necessário que seja bloqueado", concluiu Durigan.