JUSTIÇA

MP do SP denuncia organizadora e instrutores por morte em saltos de rope jump

Quatro pessoas são acusadas pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, em Limeira, durante salto sem segurança.

Por Estadao Conteudo Publicado em 08/07/2026 às 13:41
MP do SP denuncia organizadora e instrutores por morte em saltos de rope jump Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou na terça-feira, 7, quatro pessoas pela morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas , de 21 anos, em um salto de corda sem cordas, na Ponte do Esqueleto , em Limeira (SP), no dia 13 de junho. Agora, caso a Justiça aceite a denúncia da promotoria, os acusados ​​se tornarão réus. Eles estão presos desde o mês passado. O MP também pediu à Justiça que fixe em R$ 200 mil a reposição pelos danos causados.

A organizadora do evento de salto à corda, Evelyne dos Santos Gonçalves , de 43 anos, responsável pela Entre Cordas (empresa sem registro), foi denunciada por homicídio com dolo eventual - quando não há intenção, mas se assume o risco de matar - qualificada por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

A acusação de homicídio se deu na modalidade de omissão imprópria, visto que o MP entendeu que ela era garantidara da segurança dos participantes e deixou de agir para evitar a morte. Evelyne também foi acusada de crime de fraude processual por tentar eliminar provas relevantes para a investigação. O MP pediu ainda a conversão da prisão temporária dela em preventiva, ou seja, por tempo indeterminado.

Procurada pelo Estadão , a defesa de Evelyne informou que ainda aguardava a análise da denúncia pela Justiça e que demonstrará a "absoluta inocência da acusada".

Além da organizadora, a promotoria anunciou os três instrutores que apareceram no vídeo lançando Maria Eduarda sem cordas. Luis Felipe Feliciano Egoroff , de 32 anos, Maicon Fernandes Cintra , de 42 anos, e Vitor de Freitas Gonçalves , de 27 anos, foram acusados ​​de homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Diferentemente de Evelyne, os três foram denunciados pela ação de arremesso de Maria Eduarda. A reportagem tenta contato com as defesas.

Segundo a denúncia, os acusados ​​promoveram saltos de corda para cerca de 80 a 100 pessoas por dia de evento sem que houvesse estrutura formal de gerenciamento de riscos e sem observar protocolos básicos de segurança. Os promotores sustentam que os responsáveis ​​pela execução do salto tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar precauções cautelares, como a conferência da conexão da corda de segurança e a realização da dupla verificação dos equipamentos.

Maria Eduarda foi submetida à modalidade conhecida como "aviãozinho", na qual os instrutores erguem a praticante e projetam a estrutura. Para o MP, os acusados ​​lançaram um jovem sem que a corda de segurança estivesse conectada ao seu peitoral, fazendo com que ela caísse de cerca de 40 metros de altura e morresse em decorrência de politraumatismo.

A denúncia também aponta que o grupo de salto à corda funcionava sem definição clara de funções, explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais e priorizava interesses econômicos e a divulgação de saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes. Conforme a acusação, Evelyne deixou de interromper a mesma atividade após ter ocorrido uma falha operacional semelhante anteriormente.

"A inobservância técnica somava-se à irregularidade formal da própria atividade. Os denunciados exploravam comercialmente o salto à corda sem inscrição no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos ( Cadastur ) do Ministério do Turismo, sem contratação de seguro de responsabilidade civil e sem a elaboração de termos de conhecimento, de responsabilidade e de ciência de risco a serem firmados pelos participantes, exigência já vigente à época dos fatos", sustentam os promotores.

Sumiço de câmera

A investigação da Polícia Civil, dividida em dois inquéritos, não conseguiu localizar a câmera Go Pro, que estava ligada ao braço da vítima, nem determinar quem retirou o equipamento de Maria Eduarda. Mesmo assim, a organizadora do evento foi denunciada por determinar a localização do equipamento e a exclusão do conteúdo, com o objetivo de dificultar a elucidação dos fatos.

De acordo com o inquérito, uma testemunha afirmou que Evelyne “mencionou expressamente” a necessidade de apagar o vídeo do salto da jovem. O relatório final da Polícia Civil revelou que pelo menos três testemunhas afirmaram que um homem retirou a câmara da vítima. Porém, ninguém conseguiu reconhecê-lo. Duas testemunhas disseram que se tratava de um homem de cabelo escuro e que usava uniforme da equipe responsável pela atividade.