MP do SP denuncia organizadora e instrutores por morte em saltos de rope jump
Quatro pessoas são acusadas pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, em Limeira, durante salto sem segurança.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou na terça-feira, 7, quatro pessoas pela morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas , de 21 anos, em um salto de corda sem cordas, na Ponte do Esqueleto , em Limeira (SP), no dia 13 de junho. Agora, caso a Justiça aceite a denúncia da promotoria, os acusados se tornarão réus. Eles estão presos desde o mês passado. O MP também pediu à Justiça que fixe em R$ 200 mil a reposição pelos danos causados.
A organizadora do evento de salto à corda, Evelyne dos Santos Gonçalves , de 43 anos, responsável pela Entre Cordas (empresa sem registro), foi denunciada por homicídio com dolo eventual - quando não há intenção, mas se assume o risco de matar - qualificada por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
A acusação de homicídio se deu na modalidade de omissão imprópria, visto que o MP entendeu que ela era garantidara da segurança dos participantes e deixou de agir para evitar a morte. Evelyne também foi acusada de crime de fraude processual por tentar eliminar provas relevantes para a investigação. O MP pediu ainda a conversão da prisão temporária dela em preventiva, ou seja, por tempo indeterminado.
Procurada pelo Estadão , a defesa de Evelyne informou que ainda aguardava a análise da denúncia pela Justiça e que demonstrará a "absoluta inocência da acusada".
Além da organizadora, a promotoria anunciou os três instrutores que apareceram no vídeo lançando Maria Eduarda sem cordas. Luis Felipe Feliciano Egoroff , de 32 anos, Maicon Fernandes Cintra , de 42 anos, e Vitor de Freitas Gonçalves , de 27 anos, foram acusados de homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Diferentemente de Evelyne, os três foram denunciados pela ação de arremesso de Maria Eduarda. A reportagem tenta contato com as defesas.
Segundo a denúncia, os acusados promoveram saltos de corda para cerca de 80 a 100 pessoas por dia de evento sem que houvesse estrutura formal de gerenciamento de riscos e sem observar protocolos básicos de segurança. Os promotores sustentam que os responsáveis pela execução do salto tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar precauções cautelares, como a conferência da conexão da corda de segurança e a realização da dupla verificação dos equipamentos.
Maria Eduarda foi submetida à modalidade conhecida como "aviãozinho", na qual os instrutores erguem a praticante e projetam a estrutura. Para o MP, os acusados lançaram um jovem sem que a corda de segurança estivesse conectada ao seu peitoral, fazendo com que ela caísse de cerca de 40 metros de altura e morresse em decorrência de politraumatismo.
A denúncia também aponta que o grupo de salto à corda funcionava sem definição clara de funções, explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais e priorizava interesses econômicos e a divulgação de saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes. Conforme a acusação, Evelyne deixou de interromper a mesma atividade após ter ocorrido uma falha operacional semelhante anteriormente.
"A inobservância técnica somava-se à irregularidade formal da própria atividade. Os denunciados exploravam comercialmente o salto à corda sem inscrição no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos ( Cadastur ) do Ministério do Turismo, sem contratação de seguro de responsabilidade civil e sem a elaboração de termos de conhecimento, de responsabilidade e de ciência de risco a serem firmados pelos participantes, exigência já vigente à época dos fatos", sustentam os promotores.
Sumiço de câmera
A investigação da Polícia Civil, dividida em dois inquéritos, não conseguiu localizar a câmera Go Pro, que estava ligada ao braço da vítima, nem determinar quem retirou o equipamento de Maria Eduarda. Mesmo assim, a organizadora do evento foi denunciada por determinar a localização do equipamento e a exclusão do conteúdo, com o objetivo de dificultar a elucidação dos fatos.
De acordo com o inquérito, uma testemunha afirmou que Evelyne “mencionou expressamente” a necessidade de apagar o vídeo do salto da jovem. O relatório final da Polícia Civil revelou que pelo menos três testemunhas afirmaram que um homem retirou a câmara da vítima. Porém, ninguém conseguiu reconhecê-lo. Duas testemunhas disseram que se tratava de um homem de cabelo escuro e que usava uniforme da equipe responsável pela atividade.