Bolsonaro designa Flávio como 'porta-voz' e pede unidade no PL
Em carta, ex-presidente clama pela união dos aliados em meio a desavenças familiares.
O ex-presidente Jair Bolsonaro divulgou neste sábado (11) uma carta na qual afirma que o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) será seu “porta-voz” e faz um apelo para que aliados deixem de lado divergências internacionais. O texto foi lido pelo próprio senador durante uma transmissão ao vivo em suas redes sociais.
Sem mencionar diretamente os conflitos recentes entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o ex-presidente defendeu unidade no campo político liderado por ele.
“Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças”, escreveu Bolsonaro na carta manuscrita.
No documento, o ex-presidente também reforçou sua confiança no filho, alvo de recentes polêmicas como o financiamento da cinebiografia Dark Horse e as tarifas contra o Brasil, ao chamá-lo de "meu pré-candidato" e "meu porta-voz", afirmando acreditar que ele poderá "resgatar o Brasil" e conduzir o país "à paz e prosperidade".
Após a leitura da mensagem, Flávio agradeceu o gesto do pai e disse que a definição de um porta-voz busca evitar declarações contraditórias dentro do grupo político.
"Muitas pessoas parecem que estão boicotando até a candidatura, esperando o momento certo para vestir a camisa do Bolsonaro e ir para rua para resgatar o Brasil. Agradeço por ele estar me colocando como seu porta-voz. Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas", afirmou o senador.
A manifestação ocorre em meio a uma crise envolvendo membros da família Bolsonaro. Nas últimas semanas, Flávio e Michelle trocaram críticas públicas pelas redes sociais. A ex-primeira-dama chegou a afirmar que foi humilhada e maltratada pelo senador, enquanto ele respondia pedindo desculpas e dizendo que jamais teve a intenção de ofendê-la.
O debate voltou a ganhar força depois que Michelle participou de um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos-RJ) sobre supostas festas promovidas pelo empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio reagiu dizendo que a ex-primeira-dama estava "completamente desinformada" ao sugerir qualquer ligação dele com o episódio.
Em meio às divergências, Michelle deixou a presidência do PL Mulher no fim do último mês. A saída foi definida em entendimento com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, que atualmente passou a ser investigado por desvios de quase R$ 119 milhões em emendas parlamentares.
Na última semana, Valdemar afirmou que Flávio e Michelle deixaram de se falar após a troca de acusações e defenderam uma pacificação antes da convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho.
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília desde novembro do ano passado. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.