Efeitos da política na Copa do Mundo de 2026 inquietam especialistas
Interferências governamentais podem colorir o legado do Mundial, segundo analista.
Suspeitas de interferência política e institucional no futebol, como a reversão de um cartão vermelho da seleção dos Estados Unidos; críticas ao tratamento dado a delegações do Sul Global; denúncias de racismo; e questionamentos sobre a proximidade entre a Federação Internacional de Futebol (FIFA) e o governo americano marcaram a Copa do Mundo deste ano.
A presença do governo estadunidense, pairando sobre a competição, pode ter o mesmo impacto na memória que os detalhes esportivos. Segundo o internacionalista Adriano de Freixo, a edição de 2026 consolidou a percepção de uma FIFA subordinada aos interesses do governo Trump, ao contrário do comportamento adotado pela entidade em Mundiais anteriores, quando impôs exigências rigorosas aos países-sede.
"Ela também vai ser lembrada como a Copa do Trump, a Copa em que o Trump fez o que quis e a FIFA se curvou aos interesses dos Estados Unidos", afirma, ressaltando ainda que megaeventos esportivos funcionam como instrumentos de projeção internacional dos países anfitriões.
No entanto, no caso desta Copa, o objetivo inicial de apresentar uma imagem de integração entre Estados Unidos, Canadá e México acabou sendo frustrado pelas transformações políticas ocorridas nos três países desde a escolha da sede, conta Freixo.
"A ideia de realizar esse evento na América do Norte tinha esse objetivo de unidade, pensando também nas celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, mas ele não foi alcançado. Hoje o que se vê é justamente o contrário: Está se passando uma imagem muito negativa dos Estados Unidos por conta dessa interferência do governo Trump, […] como também uma imagem muito negativa da FIFA."