SETOR PORTUÁRIO

Concessão de canais de acesso abre espaço para novo modelo de gestão portuária

Contratos preveem manutenção permanente da infraestrutura aquaviária, ampliam a capacidade operacional dos portos e preparam o país para receber embarcações cada vez maiores

Por Ascom / Ministério de Portos e Aeroportos Publicado em 23/07/2026 às 16:58
Contratos de concessão preveem manutenção permanente da iniciativa privada, garantindo maior previsibilidade e melhores condições de navegação

Antes de atracar em um porto, o navio precisa percorrer um canal de acesso, as vias navegáveis que ligam o mar aos portos. Apesar de pouco conhecidos fora do ambiente portuário, esses canais influenciam diretamente a movimentação e a eficiência dos terminais, já que sua profundidade define o tamanho das embarcações que podem operar com segurança e com a quantidade de carga que podem transportar.


Ao movimentar mais carga na mesma viagem, os navios diluem os custos logísticos por contêiner ou por tonelada transportada. Isso aumenta a competitividade dos produtos brasileiros nos mercados internacionais e também torna mais eficientes as operações de importação, ao reduzir os custos do transporte marítimo.


Por sua importância para a operação dos portos, essas infraestruturas passaram a ser incluídas em contratos de concessão que preveem atuação permanente da iniciativa privada em serviços como dragagem (que mantém a profundidade do canal), sinalização náutica e gestão do tráfego aquaviário, proporcionando maior previsibilidade às operações e melhores condições para a navegação.


Novo modelo para os canais

Diferentemente do modelo tradicional, baseado em contratações isoladas de dragagem, as concessões reúnem em um único contrato a administração da infraestrutura aquaviária, incluindo, além dos canais de acesso, sinalização e manutenção contínua, áreas de manobra dos navios e locais destinados à espera das embarcações para atracação.


O objetivo é assegurar condições permanentes de operação, reduzindo períodos de restrição e aumentando a previsibilidade para armadores, operadores portuários e exportadores.


A necessidade de modernização dos canais está diretamente ligada à evolução da frota mundial. Em poucas décadas, os porta-contêineres passaram de aproximadamente 300 metros de comprimento para embarcações de até 400 metros, capazes de transportar quase três vezes mais contêineres do que modelos do início dos anos 2000. Para receber essas embarcações, os canais precisam oferecer profundidade compatível com o aumento do calado operacional.


Estudo da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec) mostra que o aumento da profundidade dos canais permite que navios transportem mais carga por escala, reduzam o consumo de combustível por contêiner movimentado e diminuam as emissões de gases de efeito estufa. A entidade também destaca que, quando a profundidade limita o carregamento ou obriga embarcações a aguardarem condições favoráveis de maré, parte dessa eficiência deixa de ser aproveitada, elevando custos e reduzindo a competitividade logística.