Acordo nuclear EUA-Arábia Saudita vinculado a pacto com Israel
Donald Trump condiciona cooperação nuclear à adesão da Arábia Saudita aos Acordos de Abraão.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (23) que o acordo de cooperação nuclear civil firmado com a Arábia Saudita está condicionado à sua adesão aos Acordos de Abraão, que normalizariam as relações do país com Israel.
A declaração ocorreu um dia após o anúncio do pacto, assinado em Washington pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e pelo ministro saudita responsável pelo setor, príncipe Awbdulaziz bin Salman Al Saud.
Conhecido como Acordo 123, o texto estabelece uma cooperação para o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos, com transferência de tecnologia nuclear civil entre os países.
O acordo faz referência à Seção 123 da Lei de Energia Atômica dos Estados Unidos, de 1954, requisito legal para que o governo norte-americano e empresas do país possam cooperar com outros Estados no desenvolvimento de programas nucleares civis.
Segundo o governo norte-americano, ele também inclui um instrumento bilateral de salvaguardas e será encaminhado ao Congresso para análise. De acordo com o Departamento de Energia, a parceria vai ampliar as exportações de tecnologias nucleares dos EUA, além de aprofundar a parceria estratégica entre Washington e Riad.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia aprovado o documento, válido por 30 anos. O jornal Wall Street Journal informou que a parceria é avaliada em dezenas de bilhões de dólares e pretende garantir às empresas norte-americanas um papel central no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita, excluindo concorrentes estrangeiros. A Arábia Saudita já havia afirmado anteriormente que o reconhecimento de Israel depende da criação de um Estado palestino, conforme previsto na Solução de Dois Estados, defendida pela Organização das Nações Unidas (ONU).