EUA prorrogam sobretaxa ao Brasil com base em conflito político
Sobretaxa de 40% foi aplicada em julho de 2025; decisão é simbólica e não gera novas sanções.
O governo dos Estados Unidos publicará no Federal Register (equivalente ao Diário Oficial brasileiro), na próxima quarta-feira (29), a decisão de prorrogar a sobretaxa aplicada ao Brasil desde 30 de julho de 2025. À época, Washington tarifou as exportações brasileiras em 40%.
A medida é simbólica, já que não impõe novas sanções, e corresponde a um requisito legal da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, conforme publicado pelo Globo. Esta mesma sobretaxa em questão, no entanto, foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro, sob a justificativa de não ser válido usar este mecanismo para tarifar parceiros comerciais.
De acordo com a administração de Donald Trump, o Brasil viola a liberdade de expressão de cidadãos e residentes dos Estados Unidos e persegue politicamente "um ex-presidente do Brasil, sua família e seus apoiadores".
O comunicado não cita nominalmente, mas se refere ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado no ano passado por tentativa de golpe de Estado, aos seus apoiadores, condenados pelos ataques de 8 de Janeiro aos Três Poderes, e Eduardo Bolsonaro, que reside hoje nos Estados Unidos e é investigado por atuar em desfavor do Brasil para a promoção destas medidas tarifárias.
Essa aplicação da sobretaxa de 40% aconteceu paralelamente ao início da investigação do Brasil pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) com base na Seção 301 da Lei de Comércio, com a suspeita de práticas econômicas desleais. A ação liderada pelo USTR culminou em uma tarifa de 25%, que entrou em vigor no último dia 21.
Na mesma semana, os Estados Unidos decidiram impor uma tarifa extra de 12,5% aos produtos brasileiros pelo país supostamente falhar em combater práticas de trabalho forçado nos setores produtivos — 60 países foram acometidos por essa taxa.
Hoje, o Brasil é o segundo país mais tarifado pelos norte-americanos, atrás apenas da China, impactando em mais de US$ 11 bilhões (quase R$ 56,4 bilhões) as exportações da indústria e do agronegócio.