ARQUEOLOGIA

Cientistas encontram estruturas de civilização pré-colombiana na Amazônia

Mais de 400 geoglifos foram descobertos no Acre com ajuda de lasers e satélite

Por Redação ANSA Publicado em 29/07/2026 às 15:10
Pesquisa foi comandada pelo cientista Martti Parssinen © ANSA/Divulgação / Nature

Mais de 400 estruturas de terra construídas por uma civilização pré-colombiana foram identificadas na Amazônia por meio de tecnologias de sensoriamento remoto, como lasers aéreos e imagens de satélite.

A descoberta, publicada na revista científica Nature por uma equipe internacional de arqueólogos e divulgada nesta quarta-feira (29), revela uma ocupação humana na região muito mais ampla e complexa do que se imaginava.

Os pesquisadores encontraram 432 estruturas de terra, sendo 396 delas nunca vistas anteriormente.

As formações estão localizadas em uma área que teria sido ocupada pela civilização Aquiry, no sudoeste da Amazônia brasileira.

Os achados indicam que podem existir entre 24 mil e 30 mil estruturas semelhantes espalhadas por uma região de aproximadamente 183 mil quilômetros quadrados.

Conhecidas como geoglifos amazônicos, essas construções são grandes recintos geométricos cercados por valas e elevações de terra.

Segundo os arqueólogos, elas provavelmente funcionavam como espaços destinados a cerimônias, encontros políticos e atividades comunitárias. As estruturas identificadas apresentam tamanhos variados, entre 0,35 e 14 hectares, enquanto o maior geoglifo conhecido até hoje chega a quase 50 hectares.

A pesquisa foi conduzida por cientistas liderados por Martti Parssinen, da Universidade de Helsinque, que analisaram uma área de 4.497 quilômetros quadrados próxima aos municípios brasileiros de Rio Branco, Lábrea, Boca do Acre e Carauari.

O uso da tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging), que utiliza pulsos de laser para mapear o terreno mesmo sob a vegetação densa, permitiu revelar vestígios que permaneciam escondidos pela floresta.

Antes dessas análises, as estimativas sobre a quantidade de estruturas amazônicas eram baseadas principalmente em áreas desmatadas, onde os vestígios eram mais fáceis de observar. Com a nova tecnologia, os pesquisadores conseguiram ampliar significativamente o conhecimento sobre a presença de antigas sociedades na região.

De acordo com o estudo, a civilização Aquiry pode ter atingido seu auge entre os anos 100 e 300 d.C., período em que teria abrigado uma população estimada entre 1,25 milhão e 3 milhões de pessoas.

A dimensão dessa ocupação sugere que os povos amazônicos pré-colombianos modificaram o ambiente de maneira mais intensa do que se acreditava, influenciando a formação dos solos, a paisagem florestal e a biodiversidade local.