SAÚDE

Brasil inaugura primeiro centro de protonterapia para tratamento oncológico

Unidade, com investimento de R$ 132,6 milhões, começará a atender em 2030 com foco em crianças e adolescentes.

Por Estadao Conteudo Publicado em 29/07/2026 às 16:25
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Brasil ganhará seu primeiro centro de protonterapia, uma modalidade de radioterapia que utiliza prótons , em vez de fótons , para destruir células tumorais, ocorrendo, assim, de forma mais precisa na área doente e provocando menos danos em tecidos vizinhos adjacentes.

Com previsão de iniciar os atendimentos em 2030 , o centro será instalado na Barra da Tijuca , no Rio de Janeiro . Viabilizado por um investimento de R$ 132,6 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia , o serviço priorizará o tratamento de crianças e adolescentes com câncer atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) .

Embora a protonterapia tenha sido aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2017 , o Brasil ainda não possui nenhuma unidade em funcionamento. Atualmente, pacientes que necessitam desse tipo de tratamento independente de centros no exterior, ou que restringem o acesso devido ao alto custo.

O novo centro será desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e, segundo a Finep, pelo menos 60% da capacidade de atendimento será destinada aos usuários do SUS .

Segundo a oncologista pediatra Viviane Sonaglio , líder do Centro de Referência de Tumores Pediátricos do ACCamargo Cancer Center, a maior precisão da técnica contribui para reduzir os efeitos colaterais provocados pela radiação ao longo do tratamento.

O especialista ressalta que a protonterapia não substitui a radioterapia convencional em todos os casos. A indicação depende da localização do tumor e da proximidade com órgãos considerados críticos, situações em que a maior precisão da técnica pode oferecer vantagens importantes.

Por que o tratamento é importante para as crianças?

A chegada da protonterapia é especialmente considerada relevante para a oncologia pediátrica. Segundo o Inca, o Brasil registra cerca de 8 mil novos casos de câncer infantojuvenil por ano, e as crianças são mais sensíveis aos efeitos da radiação por ainda estarem em desenvolvimento.

Nesse cenário, preservar os tecidos saudáveis ​​durante o tratamento torna-se um dos principais desafios. De acordo com Viviane, cerca de 80% das crianças com câncer são curadas. O especialista explica que a protonterapia pode reduzir efeitos colaterais, como alterações no crescimento, déficits cognitivos, problemas cardíacos e auditivos, além do risco de desenvolvimento de um segundo câncer no futuro.

Quais tumores podem ser tratados?

Na oncologia pediátrica, os principais beneficiados pela protonterapia são pacientes com tumores localizados próximos a estruturas nobres, onde a preservação dos tecidos saudáveis ​​faz maior diferença.

Segundo o especialista, os focos estão entre as principais restrições, principalmente em crianças pequenas. Também podem se beneficiar alguns tumores da medula, sarcomas e rabdomiossarcomas (tumores que se originam em células musculares) localizados próximos ao coração.

Embora seja uma tecnologia mais precisa, a protonterapia não aumenta, necessariamente, as chances de cura em comparação com a radioterapia convencional. “Quando conversamos em protonterapia na criança, pensamos muito mais em um melhor desfecho relacionado à toxicidade do tratamento do que em aumento da taxa de cura”, afirma Viviane.