POLÍTICA

Bolsonaro não autorizou uso de vídeo gerado por IA em convenção

Defesa do ex-presidente se manifesta ao STF sobre a utilização da imagem sem consentimento.

Por Agência Brasil Publicado em 29/07/2026 às 16:33
Jair Bolsonaro é representado em vídeo gerado por IA sem autorização, segundo sua defesa.

A defesa de Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente não autorizou a utilização de sua imagem e voz para a produção do vídeo de inteligência artificial (IA) apresentado na convenção nacional do PL.

No último sábado (25), um vídeo apresentou a simulação de um pronunciamento de Bolsonaro em favor da candidatura de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, à Presidência da República.

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A manifestação foi motivada por um pedido de petição apresentado pelo ministro Alexandre de Moraes , relator do caso, que deu prazo de 48 horas para a defesa se manifestar. O ministro ressaltou que Bolsonaro está em prisão domiciliar, proibido de divulgar manifestações políticas-eleitorais, inclusive por terceiros.

Além disso, o ministro apontou que, se não houve autorização, o uso da IA ​​de Bolsonaro pode ter reflexos na esfera eleitoral e ser descrito como divulgação de deep fake , que ocorre pela criação de conteúdo artificial para associar voz ou imagem ao candidato, sem autorização. A divulgação desse tipo de conteúdo foi proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pelos advogados, Bolsonaro disse que Flávio foi impedido de visitá-lo após divulgar uma carta nas redes sociais. Por esse motivo, os advogados afirmaram que o ex-presidente não teria como autorizar a produção do vídeo de IA.

"O peticionário encontra-se com o direito de visitas suspenso pelo prazo de trinta dias, enquanto seu filho Flávio Nantes Bolsonaro permanece impedido de visitá-lo pelo prazo de noventa dias, exceto que, por si só, evidencia a inexistência de qualquer contato destinado à obtenção de autorização específica para a elaboração do referido material", argumentou a defesa.

A defesa também ressaltou que os filhos de Bolsonaro sempre utilizaram a imagem do pai, inclusive antes das proibições impostas por Moraes.

"Seus filhos sempre utilizaram sua imagem pública no âmbito da atividade político-partidária, reproduzindo fotografias, gravações, pronunciamentos, discursos, entrevistas e demais manifestações públicas, prática notória, contínua e jamais objeto de qualquer oposição por parte do titular desse direito", completou a defesa.