ECONOMIA

Trump destaca 'era de ouro', mas pressiona petrolíferas por gasolina cara

Presidente norte-americano pede redução nos preços em meio a números otimistas sobre a economia.

Por Sputnik Brasil Publicado em 09/08/2026 às 23:15
Trump © AP Photo / Jacquelyn Martin

Os Estados Unidos estão na "era de ouro". Foi o que afirmou o presidente dos EUA, Donald Trump, ao destacar que seu país atravessa uma etapa de sucesso sem precedentes. No entanto, apesar dessas declarações, o próprio chefe da Casa Branca pediu às grandes empresas petrolíferas que reduzam o preço da gasolina, em alta após o conflito contra o Irã.

"A indústria manufatureira está em pleno crescimento! A atividade industrial atingiu seu ritmo mais rápido em mais de quatro anos, superando em muito as expectativas. Os novos pedidos aumentaram durante sete meses consecutivos. A indústria manufatureira norte-americana voltou!", escreveu Trump em sua conta na Truth Social.

O presidente baseou sua avaliação em números para destacar o volume de bens exportados e seu desempenho em dólares. O republicano também ressaltou que "o mercado de ações está em máximas históricas e continua batendo recordes porque os investidores sabem que os EUA estão triunfando".

Trump também aproveitou para fazer acusações. "As notícias falsas e os democratas estão fazendo todo o possível para desviar a atenção desses sucessos maciços, mas isso está ficando cada vez mais difícil para eles. Com trilhões de dólares em novos investimentos fluindo para os Estados Unidos, e mais fábricas, mais construção e mais empregos bem remunerados a caminho, os resultados são impossíveis de esconder", afirmou.

"Esta é a era de ouro dos Estados Unidos, e isso é apenas o começo. Já estamos alcançando patamares que ninguém acreditava serem possíveis, e as maiores vitórias ainda estão por vir!", concluiu.

A avaliação otimista de Trump, porém, contrasta com sua cobrança às grandes empresas petrolíferas para que reduzam o preço da gasolina. Segundo a imprensa norte-americana, o presidente considera que as companhias obtiveram lucros excessivos com a alta do petróleo provocada pelo conflito entre EUA e Israel contra o Irã.

A contradição entre a celebração dos indicadores econômicos e a pressão sobre os preços dos combustíveis levanta questionamentos sobre quem, de fato, se beneficia do crescimento apontado pelo governo norte-americano.

Para o analista internacional Iñaki Gil de San Vicente, a avaliação sobre o desempenho econômico dos Estados Unidos depende do grupo da população considerado.

"Se fizermos uma análise a partir da queda do consumo, do aumento das doenças, da redução da qualidade de vida, da queda da expectativa de vida nos Estados Unidos e de tantos outros fatores, é evidente que a economia norte-americana, vista pela realidade da grande maioria da população, está em retrocesso", afirmou à Sputnik.

Segundo o especialista, o cenário é diferente quando a análise se concentra em setores específicos da economia, como a indústria de inteligência artificial, o complexo militar e os mercados financeiros de alto risco.

"Se você fizer a análise a partir de um setor muito pequeno, o da oligarquia tecnológica da inteligência artificial, somado à produção militar e ao capital fictício de alto risco, entre outros, a dívida que os Estados Unidos estão acumulando não importa para eles, porque sabem que não serão eles que vão pagá-la", avaliou.

O analista também apontou para o crescimento da dívida norte-americana como um fator de preocupação. Na avaliação dele, a expansão do endividamento pode criar uma diferença cada vez maior entre os indicadores financeiros e a situação econômica da população.

"Se chegarmos a esses níveis de avaliação, concluiremos que, na realidade, existem duas grandes 'Américas': a América das minorias que estão bem, algo que sempre ocorreu no capitalismo, e a América da grande maioria, à qual está indo muito mal", afirmou.

Gil de San Vicente também relacionou o cenário econômico às eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para ocorrer nos próximos meses. Segundo ele, a proximidade do pleito ajuda a explicar a pressão política em torno dos resultados econômicos apresentados pelo governo Trump.