TSE analisará uso de deepfakes em vídeo de Bolsonaro durante convenção do PL
Julgamento pode definir limites da inteligência artificial nas campanhas eleitorais.
TSE deve decidir na semana de 17 de agosto se o vídeo em IA que reproduziu Jair Bolsonaro na convenção do PL viola a resolução que proíbe deepfakes, em julgamento visto como crucial para definir os limites do uso de inteligência artificial nas campanhas e evitar uma onda de judicialização.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve julgar na semana de 17 de agosto a ação do Partido dos Trabalhadores (PT) contra o vídeo exibido pelo Partido Liberal (PL) que reproduziu o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado em regime domiciliar humanitário, mas proibido de realizar comunicação político‑eleitoral, por meio de inteligência artificial (IA) durante a convenção partidária.
O atual presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, se reúne com os ministros para discutir o caso e avaliar se o julgamento deve ser pautado, em meio à percepção de que a decisão terá impacto direto sobre os limites do uso de IA nas campanhas eleitorais, segundo apuração de um jornal de grande circulação no país.
A resolução de propaganda do TSE proíbe deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas, mesmo com autorização da pessoa retratada. Apesar de Kassio e André Mendonça terem sinalizado abertura para permitir o uso de IA quando não houver intenção de enganar, o presidente da Corte agora pondera se uma liberação parcial poderia gerar excesso de judicialização e insegurança jurídica, diz a mídia.
O vídeo é interpretado como um teste da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para medir até onde será possível avançar no uso de conteúdos sintéticos. A defesa do senador argumenta que o material não seria deepfake, pois continha avisos explícitos de que se tratava de uma simulação, sem intenção de induzir o eleitor ao erro.
Na peça exibida na convenção, Bolsonaro aparece dizendo que está preso e que sua imagem é uma simulação feita por IA. Para a defesa, trata-se de uma versão tecnológica de estratégias já usadas em campanhas anteriores, como o apoio de Lula a Fernando Haddad em 2018, quando o presidente estava preso, porém sem trânsito em julgado como Bolsonaro, e sua imagem era reproduzida simbolicamente.
Os ministros devem discutir também a definição precisa de deepfake eleitoral. Há preocupação de que uma autorização caso a caso obrigue o TSE a julgar continuamente se cada vídeo é "do bem" ou não, além do risco de cortes circularem nas redes sem os avisos de IA presentes no material original, destaca o jornal.
Ainda segundo a apuração, dentro da Corte, três ministros — Floriano Azevedo Marques, Estela Aranha e Ricardo Villas Bôas Cueva — se opõem à liberação, afirmando que a resolução é clara e que flexibilizá-la poderia "abrir a porteira." Há receio de que um deepfake viral inesperado em outubro cause danos irreversíveis ao equilíbrio da disputa.
Advogados eleitorais divergem sobre a legalidade do vídeo. Alberto Rollo, consultado pela mídia, sustenta que não houve irregularidade porque a campanha ainda não começou e o evento era fechado, embora transmitido ao vivo. Já Fernando Neisser destaca que a decisão do TSE será crucial para definir o alcance da IA nas eleições, lembrando que seus efeitos sobre o comportamento dos eleitores ainda são desconhecidos, alertou a mídia.