Crescimento do comércio no 1º semestre de 2026 supera anos anteriores, aponta IBGE
O setor varejista acumulou alta de 1,9% em vendas, impulsionado pela recuperação em maio e junho.
As vendas no comércio cresceram mais no primeiro semestre de 2026 do que em anos completos recentes, segundo Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Após registrar uma queda de 1,5% em abril, Santos apontou que o setor demonstrou recuperação com avanço em maio (0,3%) e junho (0,5%). Ele destacou que o acumulado nas vendas varejistas de janeiro a junho ficou em 1,9%, uma taxa superior ao fechamento dos últimos anos.
"O crescimento acumulado no semestre é maior que o dos últimos anos (janeiro a dezembro). Em 2025, por exemplo, o comércio fechou o ano com acumulado de 1,6% em relação a 2024", afirmou.
Ele disse que o início do ano foi forte, com resultados positivos em janeiro (0,5%), fevereiro (0,8%) e março (0,8%). Como efeito, o primeiro trimestre de 2026 cresceu 1,1% ante o quarto trimestre de 2025, um recorde na série histórica iniciada em 2000.
Na comparação entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, no entanto, as vendas no comércio caíram 0,4%. Santos explicou que há um "efeito estatístico" que dificulta a continuidade de alta ao atingir o ápice da série. "Há um efeito estatístico que torna muito mais difícil continuar crescendo quando se está no ponto mais alto da série."
Desaceleração da inflação e avanço do emprego favorecem varejo
A desaceleração da inflação em maio e junho e o avanço do emprego favoreceram o desempenho do comércio varejista restrito, avaliou Cristiano Santos.
Ao analisar a influência dos indicadores macroeconômicos sobre o comércio, Santos afirmou que há "mais fatores que levam para o campo positivo do que fatores que levam para o campo negativo".
Segundo o pesquisador, a inflação cheia perdeu força no período e o peso de itens relevantes para o consumo das famílias passou a aliviar.
Ele destacou que a alimentação no domicílio, importante para a conversão de receita em volume no segmento de supermercados, veio negativa em junho, após ter sido positiva em maio.
Além disso, afirmou que a inflação desacelerou ou veio negativa em grupos como vestuário, mobiliário, eletrodomésticos, equipamentos e produtos farmacêuticos, reforçando um ambiente de menor pressão inflacionária para o varejo restrito.
Pelo lado do mercado de trabalho, Santos destacou que o aumento do número de pessoas ocupadas compensou a queda dos rendimentos. "A massa de rendimento teve uma ligeira queda de 0,5%, mas o número de pessoas ocupadas cresceu 1,1% em junho de 2026 em relação a maio", disse, citando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). "São fatores que têm uma distribuição mais para o positivo, o que ajuda a segurar esse indicador de volume no campo de crescimento", completou.
Sobre o varejo ampliado, Santos afirmou que o setor ainda sente os efeitos da inflação de automóveis novos e de material de construção. "Material de construção e automóvel novo tiveram aceleração. Então, quando a gente olha o ampliado, a gente vai ver que o ampliado, sim, está em queda", disse.
Ao mesmo tempo, o gerente ponderou que há fatores limitadores, como o peso dos juros sobre o crédito à pessoa física. Santos explicou que, quando o crédito não se expande, "há uma menor chance de isso bater no consumo" e, consequentemente, nos indicadores da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE.
Em junho, o varejo ampliado ficou 2,1% abaixo do recorde da série histórica, registrado em fevereiro de 2026. Em 2026, o varejo ampliado subiu 1,1% no primeiro trimestre e caiu 1,0% no segundo.
Em 2025, o setor cresceu 0,7% no primeiro trimestre e recuou 1,5% no segundo. No terceiro trimestre, houve alta de 0,3%, seguida de avanço de 1,5% no quarto.