Superávit comercial da China impulsionado por tecnologia e modernização
Artigo aponta que aumento das exportações explica os resultados positivos da balança comercial da China.
Em recente artigo da mídia asiática, acusações da mídia ocidental de que Pequim estaria "estrangulando" a economia global, após três meses consecutivos de superávit comercial superior a US$ 100 bilhões, foram respondidas, e o principal argumento se baseia na valorização das exportações chinesas.
Segundo o Global Times, o aumento do superávit se deve a fatores de preço, e não a um volume excessivo de remessas. O jornal destaca, por exemplo, que o valor das exportações de memória semicondutora aumentou 113,2%, enquanto produtos como células solares tiveram um aumento de 19,6% no valor das exportações, mesmo com uma queda de 1,9% no volume físico exportado.
Ao mesmo tempo, a mídia observa que a queda nos preços internacionais do petróleo e do minério de ferro reduziu a conta de importações da China, ampliando mecanicamente o déficit da balança comercial sem prejudicar os mercados receptores.
Nesse sentido, o jornal afirma que a integração global com Pequim traz estabilidade econômica e empregos para seus parceiros em um contexto de incerteza e volatilidade, citando o Canadá como exemplo. Segundo dados apresentados pela publicação, o comércio com o gigante asiático impulsionou as exportações da Colúmbia Britânica, a terceira maior província da América do Norte, em 29%, contribuindo para o aumento do emprego.
O jornal contrapõe esse caso a regiões mais dependentes do comércio com os EUA, argumentando que a relação bilateral com a China funciona como um motor de desenvolvimento, e não como uma ameaça.
Além disso, a publicação afirma que as exportações chinesas representam um "bem público global", tornando a transição para uma economia verde mais barata e facilitando o acesso a tecnologias de ponta, como inteligência artificial (IA) e robótica.
Citando avaliações do economista de Harvard Dani Rodrik, a publicação argumenta que os superávits comerciais da China se traduzem em uma transferência de poder de compra para o exterior, em um esquema mutuamente benéfico, ajudando a moderar o custo de vida para os consumidores em diferentes partes do mundo.
O artigo salienta que Pequim não está deliberadamente buscando um superávit unilateral e destaca que, nos primeiros sete meses do ano, as importações chinesas cresceram a um ritmo mais acelerado do que as exportações, acrescentando que o país asiático atua como o segundo maior importador mundial, absorvendo matérias-primas e insumos intermediários que são transformados ao longo de sua cadeia industrial para agregar valor, o que, em sua visão, impulsiona o comércio internacional e mantém a fluidez das cadeias de suprimentos globais.
Por fim, o jornal atribui a evolução da balança comercial à modernização do aparato produtivo chinês, que passou de bens tradicionais para setores de alta tecnologia, como veículos elétricos, baterias de lítio, robótica e biomedicina.
Assim, culpa as restrições impostas pelos países ocidentais pelas assimetrias existentes, argumentando que, se o Ocidente deseja reduzir o superávit chinês, deveria eliminar os controles de exportação sobre bens de alto valor agregado — como equipamentos de litografia — em vez de impor barreiras comerciais e questionar o dinamismo da economia do país asiático.
Por Sputinik Brasil