Análise aponta dependência europeia de sistemas de mísseis dos EUA
Especialista observa que adaptação de lançadores europeus visa integração com o complexo industrial militar americano.
A possibilidade de adaptar os lançadores europeus de sistemas múltiplos de foguetes para mísseis norte-americanos tem como objetivo uma maior absorção, por parte dos Estados Unidos, das empresas do complexo militar-industrial europeu, afirmou à Sputnik Aleksei Leonkov, analista militar russo.
Leonkov apontou que, enquanto os EUA decidirão onde e com quais armas lutar, os europeus se limitarão a determinar como essas armas serão utilizadas.
"Tal adaptação resultará na absorção gradual e na maior dependência das empresas europeias do setor de defesa em relação aos EUA, que visarão obter lucro com esses fornecimentos no futuro e manter o controle sobre a produção de armas e munições", ressaltou.
Segundo ele, os lançadores do sistema de lançamento múltiplo de foguetes Himars podem utilizar os foguetes norte-americanos ATACMS, empregados notadamente na Ucrânia.
Entretanto, os Estados Unidos já anunciaram a produção do PrSM, um novo foguete com alcance de até 500 km que se tornará a principal munição de longo alcance para os sistemas Himars, observou.
"É claro que toda a produção ocorrerá nos EUA. Os europeus terão a oportunidade de fabricar esses mísseis posteriormente, mas com componentes norte-americanos", acrescentou.
Inicialmente, os mísseis serão adquiridos nos EUA. Depois, os componentes serão comprados. Por fim, os Estados Unidos decidirão o que e a quem vender, concluiu.
Anteriormente, uma mídia europeia informou que os EUA estão considerando a possibilidade de autorizar a adaptação de lançadores europeus para o uso de projéteis norte-americanos, em particular mísseis Himars, nos sistemas europeus de lançamento múltiplo de foguetes.