ECONOMIA

UE intensifica pressão sobre a China em meio a crescentes tensões comerciais

Comissário europeu pede compromissos da China para equilibrar comércio até outubro.

Por Sputnik Brasil Publicado em 10/09/2026 às 05:54
Pressão da UE sobre a China aumenta em meio a tensões comerciais. © AP Photo / Andy Wong

A UE, segundo a mídia asiática, vive um momento de desaceleração econômica, polarização política e tensões estratégicas, enquanto trata a China como problema em vez de parceira — um erro que, segundo o artigo, agrava a crise europeia e alimenta discursos sobre desequilíbrios comerciais e possíveis confrontos.

Um recente editorial do Global Times argumenta que a União Europeia (UE) vive um período marcado por desaceleração econômica, polarização política, tensões sociais e instabilidade estratégica nas relações com Rússia e EUA. De acordo com a avaliação, a China poderia ter sido tratada como parceira estratégica, mas acabou sendo vista como parte do problema, o que seria um erro de cálculo europeu, segundo o artigo.

O comissário europeu para o Comércio e a Segurança Econômica, Maros Sefcovic, declarou que a UE pretende pressionar a China por compromissos para reduzir desequilíbrios comerciais e espera "ações iniciais" até outubro. Ele também mencionou que, sem resultados, crescerá a pressão por "outras soluções", movimento que alguns meios europeus têm interpretado como um possível ultimato e até como prenúncio de uma "guerra comercial".

Mas enquanto a UE adota retórica dura, a China mantém canais abertos e insiste em diálogo, equilíbrio e tratamento igualitário, lembra o artigo. A posição chinesa, segundo o portal, não refletiria medo, mas boa vontade e paciência, contrastando com a forma como a Europa lida com atritos comerciais com os EUA, o que deveria servir de referência para Bruxelas.

Para a mídia, a ansiedade europeia é inflada por números como o déficit diário de "€ 1 bilhão" (cerca de R$ 6,02 bilhões), citado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, mas que esse valor não consideraria o superávit europeu em serviços nem os lucros de empresas europeias que produzem na China. O texto também sustenta que a percepção europeia de produtos chineses como "baratos" seria distorcida, já que a China hoje ofereceria qualidade e competitividade.

A raiz da inquietação europeia está na perda de competitividade interna, agravada por custos de energia, baixo investimento, lentidão na inovação e fragmentação do mercado único, lembra o Global Times afirmando que, ao tensionar simultaneamente com China, Rússia e EUA, a UE se coloca em uma posição historicamente rara e arriscada.

A mídia europeia tem mencionado uma possível "guerra comercial", mas o texto questiona se a UE estaria preparada. A China, muito provavelmente não cederia a pressões, e tampouco as deseja, mas dificilmente a UE teria capacidade real de travar uma guerra comercial contra a China, aponta o editorial.

"A UE erra ao tratar a China como ameaça e que isso decorre de falta de conhecimento profundo sobre o país", argumenta a mídia. Exemplos de cooperação bem-sucedida, como o caso da Volkswagen Anhui, seriam ignorados em favor de narrativas politicamente convenientes sobre o déficit comercial.

Por fim, o artigo defende que a cooperação China‑UE é ampla, complementar e cheia de potencial em áreas como inteligência artificial (IA), clima e governança global e que insistir no caminho atual, não resolverá os problemas de competitividade da UE.