POLÍTICA

Putin critica influência ocidental na Ucrânia desde 2014

Presidente russo destaca expansão da OTAN como causa de conflitos atuais na Ucrânia.

Por Sputnik Brasil Publicado em 11/09/2026 às 21:09
Putin destaca influência da OTAN na crise ucraniana desde 2014. © Sputnik / Kirill Zykov / Acessar o banco de imagens

O Ocidente decidiu levar a Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) imediatamente após o golpe de Estado ocorrido em Kiev em 2014, afirmou nesta sexta-feira (11) o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que está em visita a Nova Delhi, onde ocorre a cúpula do BRICS.

"Imediatamente após a mudança de regime por meio de um golpe de Estado sangrento, eles estabeleceram o objetivo de levar a Ucrânia à OTAN. E, em última análise, isso foi a causa fundamental dos acontecimentos trágicos que ocorrem hoje na Ucrânia", afirmou Putin a jornalistas.

O presidente russo ressaltou que a Rússia declarou diversas vezes considerar inaceitável a expansão da OTAN para o leste e lembrou que o ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich (2010-2014), deposto em 2014, era contrário à entrada do país na Aliança Atlântica. Putin ainda responsabilizou as "elites globalistas ocidentais" por provocar o conflito ucraniano.

"E isso, no fim das contas, foi de fato a causa fundamental dos atuais acontecimentos trágicos na Ucrânia. Eles, as elites globalistas ocidentais, são os responsáveis por isso. Embora continuem transferindo a culpa para nós", disse.

Putin também afirmou que a atual crise na Europa é resultado de "erros sistêmicos" cometidos pelos chamados globalistas ocidentais nas áreas de política, segurança e economia. "Acredito que tudo o que está acontecendo agora na Europa como um todo seja resultado de erros sistêmicos do chamado Ocidente ou, mais precisamente, dos globalistas ocidentais nas áreas de política, segurança e economia", afirmou Putin.

Segundo o presidente russo, após o fim da Guerra Fria e o colapso da União Soviética, os globalistas ocidentais passaram a acreditar que "tudo era permitido" e que não poderiam cometer erros. Na avaliação de Putin, os equívocos se acumularam "como uma bola de neve".

No campo da segurança, Putin afirmou que o Ocidente primeiro tentou pressionar a Rússia por meio de terroristas e separatistas no Cáucaso e, posteriormente, passou a utilizar o regime de Kiev para exercer pressão sobre Moscou. Putin também afirmou que o eventual envio de tropas europeias para a Ucrânia significaria um confronto direto com a Rússia.

O presidente russo ressaltou que Moscou não ameaça os países europeus e não tem intenção de fazê-lo. Ao mesmo tempo, afirmou que líderes europeus estão conduzindo seus países para um confronto com a Rússia, apesar de, segundo ele, não existirem motivos para uma guerra entre as partes.

EUA não defendem adesão da Ucrânia à OTAN

Nesta semana, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defende a não adesão da Ucrânia à OTAN e a admissão da "realidade no terreno".

A "realidade no terreno" se trata não de uma linha do front atual, mas sim da posição dos moradores dos territórios em questão, explicou Lavrov. Segundo Lavrov, nessas regiões vivem as pessoas que se opuseram ao golpe de 2014 e foram proclamadas pelo regime golpista de "seres" e "não humanos", contra as quais Kiev usou a força sem se importar com o direito humanitário internacional.

"O então eleito presidente, senhor Pyotr Poroshenko, falou em 2014: 'As nossas crianças, de nós, dos verdadeiros ucranianos, irão às escolas e jardins de infância limpos – e as crianças dos que moram em Donbass vão apodrecer em porões'", recordou Lavrov.

Os EUA, ao contrário, reconhecem a realidade no terreno relacionada à opinião das pessoas que foi expressada nos referendos na Crimeia, nas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e nas regiões de Zaporozhie e Kherson, resumiu Lavrov, admitindo que essa parte da posição de Washington merece apoio.

A Rússia realiza desde 24 de fevereiro de 2022 uma operação militar especial na Ucrânia. Segundo Putin, os objetivos são proteger a população de um "genocídio por parte do regime de Kiev" e eliminar os riscos à segurança nacional representados pelo avanço da OTAN para o leste.