Canadá intensifica relações comerciais com a China em resposta a tensões com os EUA
Exportações canadenses para a China aumentam 30,1% no primeiro semestre de 2026, impulsionadas por produtos energéticos.
As exportações canadenses para a China aumentaram 30,1% em relação ao ano anterior durante o primeiro semestre de 2026, impulsionadas principalmente por petróleo bruto, cobre e outros produtos energéticos e minerais, enquanto Ottawa busca reduzir sua dependência comercial dos Estados Unidos.
As remessas para o mercado chinês atingiram C$ 21,74 bilhões (mais de R$ 80,38 bilhões), o maior valor registrado para um primeiro semestre desde 1997, de acordo com um relatório do Conselho Empresarial Canadá-China e do Instituto da China da Universidade de Alberta.
Segundo o South China Morning Post, os produtos energéticos representaram 35,8% das exportações e cresceram 81,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Minerais metálicos e não metálicos representaram outros 22,6%, com um aumento de 29%.
As exportações canadenses para a China mais que dobraram, atingindo C$ 5,96 bilhões (cerca de R$ 22,05 bilhões), contribuindo com C$ 3,2 bilhões (aproximadamente R$ 11,84 bilhões) para o crescimento geral das vendas canadenses para esse mercado.
As tensões entre o Canadá e os Estados Unidos se intensificaram desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025. Washington aumentou as tarifas sobre produtos canadenses e as negociações comerciais entre os dois países enfrentaram novas dificuldades.
Após o fracasso das negociações no final de agosto, os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre aproximadamente US$ 20 bilhões (mais de R$ 113,90 bilhões) em produtos canadenses, enquanto Ottawa respondeu com medidas comerciais que entraram em vigor no início de setembro.
Especialistas consultados pela publicação acreditam que o governo de Mark Carney está adotando uma abordagem pragmática em relação à China e que laços mais estreitos com Pequim podem ajudar a reduzir a exposição do Canadá à pressão dos EUA.
Carney estabeleceu a meta de dobrar as exportações canadenses para mercados que não sejam os Estados Unidos na próxima década. A China pode desempenhar um papel significativo devido à sua demanda por energia e minerais críticos.
Durante uma visita à China neste mês, Corey Hogan, secretário parlamentar do ministro de Energia e Recursos Naturais do Canadá, afirmou que existe um "amplo potencial" para aprofundar a cooperação energética entre os dois países.
O Projeto de Expansão do Oleoduto Trans Mountain (TMX, na sigla em inglês), que permite o transporte direto de petróleo bruto canadense para a região da Ásia-Pacífico sem depender dos oleodutos dos EUA, tornou-se uma via para expandir as exportações para a China.
Dados do Ministério de Recursos Naturais do Canadá, divulgados em 14 de setembro, mostram que a China já é a maior compradora de exportações marítimas transportadas pelo TMX, representando aproximadamente 60% dos embarques.