POLÍTICA

Lula ameaça aplicar Lei da Reciprocidade em negociações com os EUA

Presidente afirma que Brasil tomará medidas se tarifas sobre produtos brasileiros não forem retiradas.

Por Estadao Conteudo Publicado em 21/09/2026 às 17:12
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva © flickr.com / Ricardo Stuckert

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que pretende continuar negociando com os Estados Unidos pela retirada do tarifaço sobre os produtos brasileiros, mas que o Brasil pode tomar providências se o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, não quiser avançar com as conversas. As declarações, em referência à Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional, ocorreram nesta segunda-feira, 21, à jornalista Christiane Amanpour, âncora da CNN Internacional.

"Eu não vou ficar chorando pelo leite derramado. Eu vou procurar outros lugares para comprar e vender. É assim que eu faço política. E nós podemos aplicar a Lei da Reciprocidade com os Estados Unidos. Eu sou muito cauteloso", disse Lula. "Enquanto estiver na mesa de negociação, eu não preciso fazer a lei da reciprocidade", continuou. "Mas é importante saber que, se não tiver acordo, nós vamos ter que aplicar a Lei da reciprocidade", acrescentou.

Lula chegou em Nova York, nos Estados Unidos, no domingo 20. O presidente fará o tradicional discurso do Brasil na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira, 22. Não há confirmação de que ele terá um encontro bilateral com Trump.

Os Estados Unidos mantêm a vigência de um tarifaço de 25% sobre os produtos brasileiros. O governo norte-americano aplicou a medida em 22 de julho, como forma de "punição" por práticas comerciais consideradas desleais, após uma investigação que envolveu temas como o Pix, etanol e desmatamento na Amazônia.

Em 24 de julho, Trump estabeleceu uma sobretaxa de 12,5% como resposta a uma investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

O governo brasileiro disse à Organização Mundial do Comércio (OMC) que as medidas aplicadas pelos Estados Unidos são incompatíveis com as regras do comércio internacional. O Brasil também questiona a consistência das investigações que dão suporte às tarifas.