ECONOMIA

Ibovespa sofre com desvalorização de commodities e incertezas eleitorais

Queda no índice é reflexo das tensões políticas e da análise da ata do Copom

Por Estadao Conteudo Publicado em 22/09/2026 às 11:59
Ibovespa Depositphotos

A desvalorização do petróleo e do minério de ferro impede o Ibovespa de acompanhar o viés positivo da maioria dos índices das bolsas europeias na manhã desta terça-feira, 22. Em Nova York, só o Nasdaq avança. Além disso, a leitura de analistas da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) não é suficiente para empolgar o principal indicador da B3, que abriu em queda e segue operando perto da mínima intradiária.

"É muito por conta da cautela em relação à eleição no Brasil", diz Bruno Takeo, estrategista da S4 Consultoria.

Os investidores estão digerindo os discursos dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Paralelamente, monitoram notícias ligadas à disputa eleitoral brasileira a poucos dias da primeira fase do pleito.

Divulgada ontem, uma pesquisa da Quaest mostrou empate técnico na disputa para a Presidência da República entre os dois principais candidatos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Lula (PT), que soma 41%.

Após o Copom reduzir a Selic de 14% para 13,75% na semana passada, hoje o colegiado reiterou na ata que a magnitude do ciclo de calibração ocorrerá à luz da evolução do cenário. O Comitê destacou que os níveis de incerteza são históricos, com riscos altistas para preços.

Para Gabriel Gonçalves, analista de alocação da Ghia Multi Family Office, o Banco Central teria espaço para cortar a Selic, mas os riscos geopolíticos parecem mais permanentes e já foram, em parte, incorporados pelos mercados. No Brasil, o grande tema que continua gerando ansiedade é a eleição.

Conforme Gonçalves, a ata do Copom indicou certa abertura para o BC continuar cortando a Selic, mas os choques externos, o risco de juros mais altos nos EUA, o quadro geopolítico e o El Niño podem provocar uma pequena reversão dos dados de inflação, que estavam mostrando um cenário menos desfavorável recentemente.

No discurso na abertura da sessão de debates da Assembleia Geral da ONU, Lula afirmou que "todos os países são reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre seu papel". O presidente, que já discursou diversas vezes na tribuna da ONU ao longo de seus três mandatos, acrescentou que "esse é o momento mais crítico" da entidade e que "o sentimento que me move hoje é de indignação". Em seguida, o presidente dos EUA, Trump, declarou que "a ONU está melhor do que nunca" e que "vamos fechar um acordo com o Irã logo após as eleições nos EUA".

"Não temos novidades, foi apenas uma abertura mais vendedora do Ibovespa, com uma tentativa de recuperação em seguida", diz Felipe SantAnna, especialista em mercado financeiro do grupo Axia. Segundo ele, o Índice Bovespa está totalmente ligado a Nova York, observando os discursos dos presidentes Lula e Donald Trump (EUA), "tanto pela questão eleitoral quanto pelo preço do Brent e dólar".

De forma geral, Gonçalves, da Ghia, diz que o mercado segue "bem caranguejo", andando de lado, com os preços muito pautados pela política doméstica e com fluxo fraco mesmo nos momentos em que surgem sinais de força. Ele observa que, após a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de elevar os juros recentemente, a tendência é de redução do fluxo para o Brasil, devido à diminuição do diferencial de juros entre os países.

No Ibovespa, ele trabalha com níveis escalonados: após uma tendência mais robusta em agosto, o índice ficou "preso" perto dos 166 mil pontos. Uma percepção de ganho de competitividade do senador Flávio poderia abrir caminho para 185 mil pontos, embora seja difícil isolar apenas esse efeito. Ele também nota que o petróleo e as taxas de juros reais cederam, e vê "muito potencial de valor" ainda a ser destravado, mas dependente de sinais políticos mais materiais para destravar o ímpeto dos investidores.

Às 11h33, o petróleo diminuía a queda para 1% após fontes iranianas negarem relatos divulgados mais cedo sobre possíveis negociações entre Irã e EUA e a eventual reabertura do Estreito de Ormuz.

Em Dalian, o minério fechou em queda de 1,05%.

Às 11h33, o Índice Bovespa cedia 0,70%, aos 185.307,41 pontos, ante recuo de 0,87%, na mínima a 184.976,81 pontos, vindo de abertura na máxima em 186.577,72 pontos (-0,09%). As ações da Vale caíam 0,98% e da Petrobras entre 0,21% (PN) e -0,36% (ON). Bancos também recuavam, com a maior baixa de 1,83% (BB), assim como algumas varejistas (Azzas: -2,34%), em meio ao avanço dos juros futuros.