Iranianos colocam condições para reabertura do estreito de Ormuz
Chanceler do Irã destaca necessidade de fim do bloqueio e liberação de ativos durante reunião em NY.
O Irã condicionou a reabertura do estreito de Ormuz ao fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, à liberação de ativos iranianos congelados e ao encerramento da guerra na região. As condições foram apresentadas pelo chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ao enviado presidencial norte-americano Steve Witkoff, segundo a agência IRIB.
O encontro ocorreu em Nova York, à margem da 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Horas antes, o presidente Donald Trump disse em seu discurso na tribuna que considera "aniquilar" o Irã ou fazer um acordo com o país, do qual garantiu que "nunca terá uma arma nuclear".
De acordo com uma fonte citada pela agência iraniana, Araghchi transmitiu aos representantes dos EUA as "posições decisivas" de Teerã sobre a retomada da circulação pelo estreito.
Entre as exigências iranianas está o levantamento imediato do bloqueio naval norte-americano, além do pagamento dos fundos iranianos bloqueados e do fim da guerra em todas as frentes. A IRIB informou que as condições foram apresentadas durante as negociações entre os dois países.
Trump também confirmou que representantes de Washington e Teerã mantiveram contatos durante a Assembleia Geral da ONU. Segundo ele, seus enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner se reuniram com representantes iranianos para discutir um possível acordo.
"Eles estão em mediação há algum tempo, mas acho que há muito impulso para que cheguem a um acordo. É isso que estamos ouvindo de todo mundo", afirmou Trump durante uma reunião com países do Golfo.
Bloqueio começou após escalada militar
A restrição à passagem de embarcações pelo estreito de Ormuz foi adotada pelo Irã após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país em 28 de fevereiro. Em resposta, as forças norte-americanas estabeleceram um bloqueio naval contra navios que viajavam de ou para portos iranianos.
Em 18 de junho, Washington e Teerã haviam assinado um memorando de entendimento sobre o fim da guerra na região em todas as frentes, incluindo o Líbano. O documento previa que os dois países realizassem negociações em até 60 dias para tentar chegar a um acordo definitivo.
O prazo terminou em 17 de agosto sem que o processo resultasse em uma solução e, desde então, novas escaladas entre os dois países mantiveram incerto o futuro das negociações.