POLÍTICA

Parlamento do Iémen autoriza mobilização contra houthis

Vice-presidente Mohsen Basra confirma decisão em meio a crescente tensão na região.

Por Sputnik Brasil Publicado em 28/09/2026 às 23:32
Parlamento do Iémen aprova mobilização geral contra houthis em meio a tensões crescentes. © AP Photo / Osamah Abdulrahman

O governo do Conselho de Liderança Presidencial (PLC, na sigla em inglês), que tem o reconhecimento internacional da Organização das Nações Unidas (ONU), aprovou através de seu Legislativo uma mobilização geral, informou o vice-presidente Mohsen Basra.

Mais cedo o Ministério da Defesa justificou a votação como um endurecimento na guerra contra o Ansar Allah, movimento iemenita também conhecido como houthi. A votação ocorre em um momento em que o Ansar Allah assumiu o controle da costa do mar Vermelho no Iêmen, capturou o estreito de Bab el-Mandeb e intensificou os ataques contra a Arábia Saudita — principal apoiadora do Conselho de Liderança Presidencial.

O avanço rápido dos houthis, somado a ataques de forças iraquianas contra um oleoduto e à contínua pressão do Irã no estreito de Ormuz, criou um cenário crítico para a Arábia Saudita e elevou a apreensão nos mercados globais. A combinação desses fatores ameaça rotas essenciais de exportação de petróleo e amplia a instabilidade regional.

Para Riad, a crise ocorre em um momento de vulnerabilidade: os Estados Unidos, seu aliado mais importante, têm adotado postura imprevisível. O presidente Donald Trump demonstra relutância em expandir uma guerra já impopular às vésperas das eleições legislativas, o que reduz a confiança saudita no apoio norte-americano. Para o Irã, porém, o avanço dos houthis e o fechamento do oleoduto compensam parte da perda de influência no estreito de Ormuz.

De acordo com a mídia norte-americana, autoridades sauditas afirmam que o reino se defenderá e trabalhará com parceiros para garantir a navegação no mar Vermelho, enquanto analistas destacam que os recentes eventos representam a materialização dos piores temores de Riad. O príncipe Mohammed bin Salman vinha tentando redesenhar o Oriente Médio, apostando em reformas econômicas e sociais, mas esses planos foram abalados pela escalada de conflitos após o ataque do Hamas em 2023.