Saída de tropas da coalizão marca fim de 12 anos de operações no Iraque
As últimas tropas norte-americanas deixam o país em meio a comemorações e promessas de desarmamento.
A coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos retirou suas tropas do Iraque 12 anos após o início da operação contra o grupo terrorista Estado Islâmico (organização terrorista proibida na Rússia e em vários países), sob pressão das autoridades iraquianas e de grupos pró-Irã.
Segundo a emissora Al Jazeera, os últimos militares norte-americanos deixaram suas bases no Iraque, incluindo a Victoria, no aeroporto de Bagdá. A partir do local, eram realizados voos para ataques contra posições do grupo terrorista, além de treinamentos de militares iraquianos.
O representante das Forças Armadas do Iraque, Sabah al-Numan, afirmou que "o Iraque é capaz de garantir sua própria segurança, e os militares estrangeiros, nos últimos anos, apenas ajudavam na identificação dos alvos".
A retirada das tropas da coalizão é comemorada não apenas pelos aliados do Irã no Iraque, que a apresentam como uma vitória de Teerã, mas também pelas autoridades iraquianas. O governo declarou dois dias de feriado nacional para marcar o fim da presença militar estadunidense no país e chamou a data de "Dia da Independência".
Especialistas iraquianos em segurança avaliam que a retirada, acordada em 2024 durante o governo do então presidente dos EUA, Joe Biden, e executada pela administração de Donald Trump, pode dar mais liberdade de ação a Teerã e seus aliados influentes.
Ao negociar a saída dos militares norte-americanos, as autoridades iraquianas haviam prometido que os grupos xiitas pró-Irã entregariam suas armas na mesma data e seriam incorporados às Forças Armadas regulares. No entanto, como afirmou recentemente o primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, o processo de desarmamento das milícias só poderá começar em 30 de setembro.
Ao mesmo tempo, um dos líderes do movimento An-Nujaba, Ali al-Asadi, afirmou em entrevista à mídia local que o grupo teria informações sobre a criação, pelos Estados Unidos, de uma unidade especial formada por iraquianos para provocar conflitos e assassinatos no país. Segundo ele, os iraquianos precisam se opor a esses planos.
A maior organização que integra as milícias pró-Irã, o Kata'ib Hezbollah, prometeu acompanhar de perto todos os movimentos dos militares ligados a Washington e derrubar aeronaves das forças norte-americanas caso violem o espaço aéreo do Iraque.
Por Sputinik Brasil