POLÍTICA

Maíra de Souza propõe mudanças na educação e reestatização da Sabesp

Candidata ao Senado pela UP critica vestibular e defende financiamento público para a educação.

Por Sputnik Brasil Publicado em 30/09/2026 às 17:45
Maíra de Souza, candidata ao Senado, propõe fim do vestibular e financiamento para a educação. © Sputnik / Guilherme Correia

Maíra de Souza, candidata ao Senado por São Paulo pela Unidade Popular (UP), defende suspender pagamento da dívida pública para financiar a educação, o fim do vestibular e a reestatização da Sabesp, em entrevista à Sputnik Brasil.

A Sputnik Brasil solicitou entrevista com todos os candidatos ao Senado pelo estado paulista e realiza, nesta reta final de campanha antes do primeiro turno, série de publicações com cada um dos postulantes às duas vagas em jogo nesta eleição.

Professora e coordenadora estadual do Movimento Luta de Classes (MLC), ela disse que a ideia é parar "de pagar o Bolsa Banqueiro" e colocar "o dinheiro na educação, que garante vaga para todo mundo e educação de qualidade para todo mundo".

Uma de suas principais bandeiras é o fim do vestibular, principal processo de entrada para as universidades públicas e particulares do país. Para ela, a prova é um obstáculo para a classe trabalhadora. A candidata também é contra a militarização e a "plataformização" das escolas paulistas e defende a revogação da reforma do Ensino Médio.

"O vestibular não serve para nada além de tirar os filhos da classe trabalhadora da universidade, dos cursos técnicos."

Sobre a Sabesp, a candidata relatou que militantes da UP ocuparam a Assembleia Legislativa (Alesp) durante a votação da privatização e que, no terceiro dia, a Casa mandou a polícia "espancar os nossos militantes". Segundo ela, quatro pessoas foram presas.

"A privatização da Sabesp passa com o sangue dos nossos militantes no carpete da Alesp", afirmou. Maíra avaliou que a reestatização não será simples e depende de organização popular.

Maíra afirmou que o programa da UP é de "rompimento com o capitalismo", mas disse não ter ilusão de que o socialismo será construído pelas vias institucionais.

"A gente não tem a ilusão de que a gente vai construir o socialismo dentro do parlamento burguês. Isso é impossível. Mas nós queremos estar dentro do parlamento burguês para trazer essas denúncias."

Ela defendeu ainda uma Petrobras 100% estatal e a proteção das terras raras, e disse que privatizações são um caminho para a submissão do país a potências estrangeiras. "Privatizar é um jeito da gente começar a se submeter a esses imperialistas que querem vir aqui pegar não só nossa água, mas o petróleo, as terras raras, as nossas riquezas."

Como exemplo de mobilização, citou povos do Baixo Tapajós, que ocuparam a sede da Cargill e forçaram o governo Lula (PT) a revogar um decreto já aprovado. Como referências políticas, Maíra citou os povos palestino e cubano e disse que a UP faz atos para exigir que o governo federal envie petróleo a Cuba.

Ao comentar a fragmentação da esquerda, a candidata disse que alianças devem ser programáticas e que a UP não pretende "rebaixar" o programa. Sobre a social-democracia, afirmou que eleitores votam na direita por decepção.

"As pessoas percebem isso e ficam com raiva da social-democracia e votam na direita de raiva."

Maíra defende a escala 4x3, com 30 horas semanais e sem redução salarial, e a construção de uma greve geral pelo fim da escala 6x1. Se declarou contra as apostas online, que, segundo ela, atingem sobretudo trabalhadores de baixa renda.

Sobre corrupção, a candidata afirmou que "no capitalismo a corrupção é inerente ao Estado" e disse que os banqueiros "mandam no Estado e compram todo mundo".

Sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu que os juízes sejam eleitos e que os bens de corruptos sejam confiscados e devolvidos à população, e disse que votaria pelo impeachment de "qualquer corrupto". Ela citou o caso dos desvios do INSS e afirmou que os envolvidos ainda mantêm bens obtidos com o dinheiro. "A gente quer eleger os juízes e confiscar os bens de todos esses que colocaram as mãos no dinheiro roubado do INSS", declarou.