POLÍTICA

Candidato do PCO critica censura e defende mudanças radicais no Senado

Ednelson Cesaretti aponta perseguições e questiona segurança das urnas eletrônicas brasileiras.

Por Sputnik Brasil Publicado em 02/10/2026 às 19:57
Candidato Ednelson Cesaretti apresenta propostas em sua campanha ao Senado por São Paulo. © Sputnik Brasil / Guilherme Correia

A Sputnik Brasil solicitou entrevista com todos os candidatos ao Senado pelo estado paulista e realiza, nesta reta final de campanha antes do primeiro turno, uma série de publicações com cada um dos postulantes às duas vagas em jogo nesta eleição.

Candidato ao Senado em São Paulo pelo Partido da Causa Operária (PCO), o professor Ednelson Cesaretti afirmou que a campanha começou sob ataque com invasão policial, atraso do fundo eleitoral e exclusão sistemática dos debates e sabatinas na grande imprensa.

"Dois dias após o lançamento das candidaturas, o companheiro Rui Costa Pimenta teve a casa invadida pela Polícia Federal sem nenhum mandado ou inquérito. Eu, como candidato ao Senado em SP, sequer fui convidado para alguma sabatina nas rádios e TVs."

Cesaretti defende o fim do sistema bicameral e do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o postulante, órgãos cujos integrantes não passam pelo crivo do voto direto funcionam meramente como balcão de negócios para banqueiros e para o grande capital internacional.

"Por não serem eleitos, eles não têm nenhuma pressão popular e são facilmente dobrados pelo grande poder econômico e pelo imperialismo mundial."

Ao analisar os processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, o candidato manteve a linha do PCO e criticou a tese de prisão por tentativa de golpe. No entanto, frisou que razões para prender o ex-mandatário não faltam, especialmente no que diz respeito à condução da saúde pública durante a crise sanitária.

"Nós fomos contra a prisão do Bolsonaro por tentativa de golpe porque consideramos uma arbitrariedade. Mas ele deveria ser preso por várias outras questões, como por exemplo a inoperância na época da pandemia, onde mais de 700 mil brasileiros morreram."

Sobre a polêmica das apostas on-line (bets), o candidato afirmou que a discussão promovida pelo governo não passa de cortina de fumaça. Na avaliação do professor, o verdadeiro ralo por onde escorre a renda do trabalhador brasileiro não são os jogos de azar, mas os juros extorsivos cobrados pelo sistema financeiro tradicional.

"Essa batalha das bets é uma máscara de fumaça. Quem torna as pessoas miseráveis não são as bets, são os grandes bancos com a política de altos juros, onde 42% do Orçamento Federal de 2025 foi direto para o bolso dos banqueiros."

A segurança do processo eleitoral também entrou na mira do candidato, que questiona a narrativa oficial sobre a inviolabilidade da tecnologia empregada na votação. Ele ressaltou que a militância do PCO não encara o sistema como infalível e que a ferramenta está sujeita a intervenções humanas.

"A gente não acha que as urnas eletrônicas são de fato invioláveis. O próprio Alexandre de Moraes coloca a urna como algo sacrossanto e intocável, mas até hackers muito inteligentes desenvolvem tecnologia para fraudar sistemas."

Em funcionamento desde 1996, a urna eletrônica brasileira completa 30 anos sem nenhum caso comprovado de fraude, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O sistema não é apresentado como inviolável, mas como auditável: o tribunal afirma que ele passa por cerca de 40 etapas de fiscalização, que envolvem órgãos públicos, partidos, universidades e entidades da sociedade civil. Os códigos-fonte ficam abertos para inspeção um ano antes do pleito, e em 2026 já foram examinados por integrantes do Senado Federal, da Sociedade Brasileira de Computação e da Confederação Nacional do Comércio.

O Teste Público de Segurança, realizado desde 2009 em anos sem eleição, convida especialistas a tentar violar o sistema. Quando uma vulnerabilidade é encontrada, a equipe técnica do TSE a corrige. Na etapa de confirmação, concluída em maio, o Tribunal informou que nenhuma verificação apontou falhas capazes de comprometer o sigilo do voto ou alterar o resultado. No dia da votação, cada urna emite um boletim com a contagem, que pode ser comparado ao total divulgado, e os registros digitais permanecem lacrados e preservados para eventual recontagem.

Parte dos especialistas em segurança defende um registro impresso do voto, verificável de forma independente do software, e o TSE responde que o boletim de urna, a biometria e a lacração já permitem a conferência.

Outros temas

Questionado sobre as críticas à baixa representatividade de mulheres na chapa eleitoral — que registrou 32% no levantamento feito pela reportagem —, Cesaretti rebateu alegando que o PCO prioriza militantes de base em vez de cotas formais. Ele alegou também que na capital paulista a estrutura interna do partido é comandada majoritariamente pelo público feminino.

"Na própria direção do partido aqui em São Paulo a grande maioria são mulheres e jovens. Nós colocamos uma mulher para disputar o governo do estado e a nossa escolha de candidaturas prioriza quem atua no dia a dia da luta socialista."

Nas considerações finais, Cesaretti puxou uma das bandeiras mais inusitadas e controversas da agremiação: a defesa irrestrita do futebol nacional. O candidato orgulhou-se do histórico do partido em sair em defesa de craques brasileiros e relembrou a campanha pública promovida pela legenda para garantir a escalação de Neymar Jr. na seleção.

"Nós somos o partido de esquerda que mais defende o futebol brasileiro. Defendemos até o final, na última Copa, a escalação do maior jogador brasileiro no momento, que é o Neymar, fruto de uma grande pressão popular pelo país afora."

Apesar das ressalvas sobre o resultado que sairá das urnas diante do bloqueio midiático, Cesaretti garantiu que o projeto do PCO não se esgota no dia da votação. O candidato diz que os militantes continuarão nas ruas, nas portas de fábrica e nas escolas de maneira permanente, independentemente do saldo eleitoral.

"Nós vamos esperar o resultado, mas para além do dia da eleição, os militantes do Partido da Causa Operária vão continuar atuando no movimento sindical, estudantil e indígena na defesa intransigente da classe trabalhadora."