ELEIÇÕES

Politicos tradicionais enfrentam derrotas em 2026

Aécio Neves, Simone Tebet e outros líderes políticos não conquistam as vagas nas eleições deste ano.

Por Sputnik Brasil Publicado em 04/10/2026 às 22:53
Derrotas de políticos tradicionais marcam as eleições de 2026. © Foto / Marcelo Camargo / Agência Brasil

Aécio Neves, Simone Tebet, Marina Silva, Ciro Gomes e outros nomes tradicionais ficaram fora dos cargos disputados nas eleições de 2026.

Nomes conhecidos da política brasileira saíram derrotados das urnas nas eleições de 2026. Entre eles estão ex-governadores, ex-ministros, senadores com longa trajetória no Congresso e candidatos que já disputaram a Presidência da República.

A lista reúne políticos de diferentes partidos e campos políticos que não conseguiram conquistar as vagas ou cargos que disputaram neste domingo (4). Entre os derrotados estão Aécio Neves, Simone Tebet, Marina Silva, Renan Calheiros, Randolfe Rodrigues, Carlos Fávaro, Ciro Nogueira, Ciro Gomes, Wilson Lima, Esperidião Amin, Manuela D'Ávila, Benedita da Silva, Eduardo Cunha e ACM Neto.

Aécio Neves

O deputado federal Aécio Neves (PSDB) perdeu a disputa pelo Senado em Minas Gerais e terminou com menos de 5% dos votos. Marília Campos (PT) e Carlos Viana (PSD) conquistaram as duas vagas em disputa.

A derrota fará com que Aécio fique sem mandato eletivo pela primeira vez em quatro décadas quando terminar seu atual período na Câmara dos Deputados, em 2027. Aos 66 anos, ele acumula passagens pela Câmara, pelo Senado e pelo governo de Minas Gerais.

A trajetória de mandatos consecutivos começou em 1986. Aécio também disputou a Presidência da República em 2014, quando chegou ao segundo turno contra Dilma Rousseff (PT), mas foi derrotado pela petista. Esta é apenas a segunda eleição perdida pelo tucano ao longo da carreira.

Simone Tebet

A ex-ministra do Planejamento e Orçamento do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Simone Tebet (PSB), perdeu a disputa por uma vaga no Senado por São Paulo.

Tebet iniciou a carreira política como deputada estadual de Mato Grosso do Sul entre 2003 e 2005. Depois, foi prefeita de Três Lagoas entre 2005 e 2010 e vice-governadora do estado na gestão de André Puccinelli, entre 2011 e 2015.

Em 2014, foi eleita senadora por Mato Grosso do Sul. Em 2022, disputou a Presidência da República pelo MDB e terminou o primeiro turno em terceiro lugar. No segundo turno, declarou apoio a Lula. Em 2023, assumiu o Ministério do Planejamento e Orçamento.

Marina Silva

A deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) foi derrotada na disputa por uma vaga no Senado por São Paulo.

Nascida no Acre, Marina iniciou a carreira política como vereadora de Rio Branco, em 1989. Em 1991, foi eleita deputada estadual e, em 1994, chegou ao Senado pelo Acre, aos 35 anos, pelo PT. Foi reeleita em 2002.

Marina também comandou o Ministério do Meio Ambiente durante o primeiro governo Lula e disputou a Presidência da República em 2010, 2014 e 2018.

Renan Calheiros

O senador Renan Calheiros (MDB) perdeu a disputa pela reeleição em Alagoas e ficará fora do Senado a partir de 2027.

Renan foi deputado estadual e federal por Alagoas antes de chegar ao Senado. Também ocupou o Ministério da Justiça durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

No Senado, exerceu a Presidência da Casa em três ocasiões e foi uma das principais lideranças do MDB no Congresso Nacional.

Randolfe Rodrigues

O senador Randolfe Rodrigues (PT) perdeu a disputa pela reeleição no Amapá. As duas vagas ficaram com Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD).

Randolfe está no Senado desde 2011 e já exerceu a função de líder do governo no Congresso. Também ganhou projeção nacional como vice-presidente da CPI da Covid, em 2021.

Antes de chegar ao Senado, foi deputado estadual pelo Amapá. Ao longo da carreira, passou por PT, PSOL e Rede Sustentabilidade, retornando ao PT em 2024.

Carlos Fávaro

O senador Carlos Fávaro (PSD) perdeu a disputa pela reeleição em Mato Grosso e ficará sem mandato a partir de 2027.

Fávaro chegou ao Senado em 2020, após vencer uma eleição suplementar realizada para preencher a vaga deixada pela cassação de Selma Arruda. Antes disso, foi vice-governador de Mato Grosso na gestão de Pedro Taques.

No governo Lula, comandou o Ministério da Agricultura e Pecuária antes de retornar ao Senado.

Ciro Nogueira

O senador Ciro Nogueira (PP) perdeu a disputa pela reeleição no Piauí. Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD) conquistaram as duas vagas.

Presidente nacional do PP, Ciro Nogueira chegou ao Senado em 2011 e buscava o quarto mandato consecutivo na Casa. Antes, foi deputado federal pelo Piauí.

Durante o governo Jair Bolsonaro, ocupou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil. No Congresso, também se tornou uma das principais lideranças do Progressistas.

Ciro Gomes

O ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) não conseguiu retornar ao governo estadual. Elmano de Freitas (PT) foi reeleito no primeiro turno no Ceará.

Ciro iniciou a carreira como deputado estadual, foi prefeito de Fortaleza e governador do Ceará. Também ocupou os ministérios da Fazenda, durante o governo Itamar Franco, e da Integração Nacional, no primeiro governo Lula.

Além dos cargos executivos, disputou a Presidência da República quatro vezes: em 1998, 2002, 2018 e 2022. Seu melhor resultado foi o terceiro lugar no primeiro turno de 2018.

Wilson Lima

O ex-governador do Amazonas Wilson Lima (União) perdeu a disputa por uma das duas vagas ao Senado pelo estado.

Jornalista, Lima entrou na política em 2017 e foi eleito governador do Amazonas em 2018, derrotando Amazonino Mendes no segundo turno. Em 2022, foi reeleito para o cargo.

Com a derrota na disputa pelo Senado, Lima ficará sem mandato eletivo após o encerramento de seu período como governador.

Esperidião Amin

O senador Esperidião Amin (PP) perdeu a disputa pela reeleição em Santa Catarina. Carlos Bolsonaro (PL) e Carol De Toni (PL) conquistaram as duas vagas.

Amin tem uma das trajetórias mais longas da política catarinense. Foi vereador e prefeito de Florianópolis, deputado federal, governador de Santa Catarina por dois mandatos e senador.

Sua carreira política começou ainda na década de 1960, e ele acumulou quase seis décadas de atuação em cargos eletivos.

Manuela D'Ávila

A ex-deputada federal Manuela D'Ávila (PSOL) também ficou fora da disputa eleitoral de 2026, após tentar retornar à política institucional.

Manuela iniciou a carreira como vereadora de Porto Alegre e, em 2006, foi eleita deputada federal pelo Rio Grande do Sul. Na Câmara, tornou-se uma das principais figuras do PCdoB e chegou a exercer a liderança da bancada.

Em 2018, foi candidata a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad (PT), que chegou ao segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL). Manuela também disputou a Prefeitura de Porto Alegre em diferentes eleições e permaneceu como uma das principais lideranças nacionais do PCdoB, mesmo fora de cargos eletivos.

Benedita da Silva

Ex-governadora do Rio de Janeiro e deputada federal, Benedita da Silva (PT) também ficou de fora da disputa eleitoral de 2026. Com uma longa trajetória na política, ela foi vereadora do Rio de Janeiro, deputada federal, senadora e governadora do estado.

Benedita iniciou a carreira política no movimento comunitário e foi eleita vereadora em 1982. Em 1986, chegou à Câmara dos Deputados e, em 1994, foi eleita senadora pelo Rio de Janeiro. Em 2002, assumiu o governo estadual após a saída de Anthony Garotinho para disputar a Presidência.

Ao longo da carreira, também ocupou o cargo de ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial durante o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Eduardo Cunha

Ex-presidente da Câmara dos Deputados e articulador do impeachment de Dilma Rousseff, Eduardo Cunha (Republicanos) não conseguiu se eleger deputado federal por Minas Gerais. Com 99,85% das urnas apuradas, ele somava 31.795 votos.

Sua candidatura foi indeferida pelo TRE-MG, que o considerou inelegível até 2027, mas a decisão foi contestada por meio de recurso ao TSE.

Cassado pela Câmara em 2016 e sem mandato desde então, Cunha disputou eleições em um terceiro estado, após sua longa trajetória política no Rio de Janeiro e uma tentativa frustrada de eleição por São Paulo em 2022, quando era filiado ao PTB.

ACM Neto

Ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil) perdeu a disputa pelo governo da Bahia para o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT). Com a apuração disponível, Jerônimo somava 54,51% dos votos, contra 44,28% de Neto.

Neto foi prefeito de Salvador por dois mandatos, entre 2013 e 2020, e também exerceu o cargo de deputado federal por três legislaturas. Em 2022, disputou pela primeira vez o governo da Bahia e foi derrotado por Jerônimo Rodrigues no segundo turno.

Em 2026, voltou a concorrer ao governo estadual pelo União Brasil. Após a derrota, Neto agradeceu aos eleitores e afirmou que pretende continuar atuando politicamente.