POLÍTICA

Alemanha se retira de projeto de tanques com a França

Decisão foi anunciada pelo Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da França em audiência.

Por Sputnik Brasil Publicado em 08/10/2026 às 17:46
Alemanha se retira do projeto MGCS, impactando colaboração militar com a França. © AP Photo / Thomas Padilla

A Alemanha decidiu retirar-se do projeto conjunto franco-alemão de tanques conhecido como Sistema Principal de Combate Terrestre (MGCS), afirmou na quinta-feira (8) o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da França, general Fabien Mandon.

"Os alemães decidiram retirar-se do projeto", disse Mandon, segundo a emissora BFMTV, durante audiências na Assembleia Nacional francesa.

A decisão de Berlim não significa o fracasso total do programa, uma vez que "os princípios básicos do tanque foram aprovados e esse trabalho não foi em vão", disse Mandon. Ao mesmo tempo, ele reconheceu que "essa não é uma boa notícia" para a indústria.

O programa MGCS, que prevê a criação de um sistema de combate baseado em tanques até 2045, foi lançado pela França e pela Alemanha em 2017. O objetivo era substituir os tanques franceses Leclerc e os alemães Leopard 2 por novos veículos.

A necessidade de equipamentos de combate pesados persiste, e o poder de fogo dos tanques continua relevante, disse Mandon, argumentando que o trabalho no futuro tanque deve prosseguir, já que a desativação dos tanques Leclerc está prevista para começar em 2038. Os tanques do futuro deverão ser equipados com tecnologias de inteligência artificial e sua operação deverá exigir menos pessoal, acrescentou Mandon.

O chanceler alemão Friedrich Merz disse, em 8 de junho, que Berlim e Paris haviam concordado em encerrar um projeto conjunto para construir um caça do Sistema Aéreo de Combate do Futuro (FCAS, na sigla em inglês).

O projeto foi lançado em 2017 para criar uma aeronave de combate destinada a substituir os caças Rafale, usados pela França, e os jatos Eurofighter, operados pela Alemanha e pela Espanha. O líder do partido francês Reagrupamento Nacional, Jordan Bardella, classificou essa decisão como um fracasso da cooperação franco-alemã e do próprio presidente da França, Emmanuel Macron.