MEIO AMBIENTE

Desmatamento atinge menor nível histórico na Amazônia e Cerrado

Dados do INPE revelam redução significativa nos biomas entre agosto de 2025 e julho de 2026.

Por Sputnik Brasil Publicado em 16/10/2026 às 18:31
Desmatamento na Amazônia e Cerrado registra queda, atingindo menor nível histórico. © Foto / Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

A área desmatada na Amazônia caiu 41,8% entre agosto de 2025 e julho de 2026, enquanto no Cerrado a redução chegou a 23,8%, revelaram dados divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Com isso, os dois biomas tiveram a menor taxa de desmatamento da série histórica, iniciada há quase quatro décadas.

Conforme o INPE, a Amazônia perdeu 3.335 km² de vegetação, enquanto o número no Cerrado chegou a 5.516,69 km². O resultado na floresta amazônica representa a quinta queda anual consecutiva desde o início da série, em 1988. O menor índice até então havia sido registrado em 2012, com 4.571 km². Pará, Mato Grosso e Amazonas concentraram as maiores áreas desmatadas no período, embora os três estados tenham registrado reduções superiores a 46%.

No Cerrado, a supressão de vegetação nativa diminuiu de 7.235,27 km² para 5.516,69 km², na terceira redução anual seguida desde o início do monitoramento, em 2001. O levantamento mostra que Maranhão, Tocantins e Piauí tiveram as maiores áreas desmatadas. Juntos com a Bahia, os quatro estados que compõem a região do Matopiba responderam por 74,3% do total registrado no bioma.

Entre 2023 e 2026, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou 76.095 ações de fiscalização em todo o país e aplicou 25.101 autos de infração contra a flora, que somaram R$ 11,8 bilhões em multas. No mesmo intervalo, o órgão embargou 18.630 km² de áreas.

No período, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lavrou 11,9 mil autos de infração em unidades de conservação federais, com R$ 2,4 bilhões em multas, além de emitir mais de 5 mil termos de embargo, referentes a áreas que somam mais de 5 mil km².

A ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, que deixou a pasta em abril para concorrer ao Senado por São Paulo, ressaltou ao jornal O Globo a importância do trabalho de combate ao desmatamento para minimizar os impactos da crise climática. Aliado a isso, Marina destacou o compromisso do atual governo em zerar a perda de vegetação até 2030.

"Combater a devastação dos nossos biomas é proteger a vida das brasileiras e brasileiros. É impedir que esses eventos climáticos destruam nossas casas, negócios, as cidades onde moramos, a economia da qual dependemos, nossos sonhos e chances de prosperar. Essa conquista não pertence a uma pessoa ou a um partido. É um patrimônio do povo brasileiro", declarou à publicação.

A estratégia federal de combate ao desmatamento inclui fiscalização, monitoramento por satélite, ordenamento territorial e incentivos econômicos à conservação. Os planos de prevenção e controle da Amazônia Legal e do Cerrado foram restabelecidos em 2023, com ações executadas por órgãos federais em cooperação com estados e municípios.