ECONOMIA

Governo planeja aumentar tributos sobre produtos nocivos a partir de 2028

Medida provisória que regulamenta o 'imposto do pecado' deve ser enviada ao Congresso nesta terça-feira (3)

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 03/11/2026 às 12:47
Governo propõe aumento do imposto sobre produtos prejudiciais à saúde em 2028. © Sputnik / Guilherme Correia

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a medida provisória que regulamenta o Imposto Seletivo, conhecido como "imposto do pecado". A expectativa do governo é enviar o texto ao Congresso ainda nesta terça-feira, com necessidade de aprovação até o fim do ano.

A proposta prevê manter, em 2027, a carga tributária atualmente aplicada a produtos considerados prejudiciais à saúde, período tratado como uma fase de transição. A partir de 2028, porém, a tributação deverá ser elevada para reforçar o objetivo de desestimular o consumo desses itens.

De acordo com um portal de notícias no país, o ministro afirmou ter havido um acordo com os setores afetados para preservar a carga tributária atual no primeiro ano de vigência do novo imposto. Como o Imposto Seletivo só passa a valer 90 dias após a aprovação legislativa, o governo também pretende manter a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nesse intervalo, evitando perdas de arrecadação.

Para o governo, a medida aumenta o custo de atividades nocivas à saúde ou ao meio ambiente e preserva a arrecadação pública. A equipe econômica estima que o tributo arrecadará R$ 41,9 bilhões em 2027, contribuindo para manter estável a carga tributária em relação ao produto interno bruto (PIB).

Segundo dados da Fiocruz, estudos apontam um custo social elevado relativo ao consumo desses produtos. Apenas em 2019, o consumo de álcool gerou impacto de R$ 18,8 bilhões, enquanto doenças relacionadas ao tabagismo provocam custos anuais estimados em R$ 153,5 bilhões.

O governo também calcula que enfermidades ligadas ao consumo de bebidas ultraprocessadas geram gastos próximos de R$ 3 bilhões por ano ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Representantes da indústria de bebidas alcoólicas, por sua vez, argumentam que o setor já enfrenta elevada carga tributária, que pode superar 80% do preço final em alguns casos. De acordo com a apuração, produtores afirmam que novos aumentos de impostos podem reduzir margens de lucro, elevar preços ao consumidor, causar demissões e estimular o mercado ilegal.