TRANSPORTES

Ministro projeta R$ 275 bilhões em investimentos para infraestrutura rodoviária e ferroviária

George Santoro, em entrevista à Sputnik Brasil, fala sobre a importância da interoperabilidade entre modais.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 03/11/2026 às 13:55
George Santoro, ministro dos Transportes, fala sobre investimentos em infraestrutura no Brasil. © Michel Corvello/Ministério das Transportes

A falta de integração entre modais é um dos principais gargalos logísticos para o setor de transportes do Brasil atualmente, que impacta no escoamento das exportações e na produtividade do país.

Diante disso, expandir a interoperabilidade entre as malhas ferroviárias, as rodovias e as hidrovias é um dos principais projetos do governo brasileiro para o próximo ano, conforme aponta à Sputnik Brasil o ministro dos Transportes, George Santoro, em entrevista concedida direto de Londres, no Reino Unido, onde ele participa de um ciclo de apresentações de sua carteira de projetos para atrair capital estrangeiro.

"Eu falei na abertura do evento hoje aqui em Londres que 150 anos atrás o Brasil veio aqui buscar capitais ingleses para financiar uma expansão ferroviária no Brasil e isso aconteceu, construímos 25 mil quilômetros de ferrovias, mas essas ferrovias eram projetos soltos, elas não se conectavam", diz o ministro.

Santoro destaca que o custo logístico da infraestrutura no Brasil hoje corresponde a 16% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, e a meta do governo é iniciar uma trajetória de redução até chegar a 6% do PIB nos próximos dez anos. Segundo ele, a interoperabilidade entre modais reduz o custo logístico, pois faz com que as cargas sejam transportadas com maior eficiência.

Outra meta do ministério para o próximo ano é impulsionar os investimentos estrangeiros em rodovias e ferrovias. Santoro afirma que, desde 2023, o ministério já contratou US$ 80 bilhões (R$ 440 bilhões), e ainda planeja destravar mais US$ 50 bilhões (R$ 275 bilhões), totalizando US$ 130 bilhões (R$ 715 bilhões) em investimentos na área de rodovias e ferrovias.

"A gente tem uma expectativa de crescer a nossa produção para exportação nos próximos dez anos, é um crescimento consistente nos estudos que a gente tem aqui no ministério, e a gente precisa aumentar a capacidade da logística brasileira escoar essa produção e evitar gargalos."

Um desafio para os planos da pasta é a alta na taxa de juros, que atualmente tem um patamar de 13,75% ao ano definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Santoro afirma que isso dificulta a montagem dos projetos do ministério, pois traz insegurança a investidores.

"Todo investidor vai precisar pegar dinheiro no mercado financeiro para financiar o projeto. Se o dinheiro está com uma taxa de juros menor, ele consegue gerar receitas com muito mais certeza de que vai pagar esses juros desse projeto. Mas quando a taxa de juros está muito alta, a rentabilidade do projeto tem que ser muito alta para poder pagar o custo desse financiamento."

Por outro lado, ele frisa que os investidores estrangeiros estão com uma imagem muito positiva do Brasil em relação à estabilidade das instituições e animados em apostar recursos no desenvolvimento econômico do país.

"Isso é muito relevante. Essa viagem talvez seja a primeira missão internacional depois das eleições do governo brasileiro, e isso me dá muita satisfação de poder estar passando por essa experiência depois das eleições. Todo mundo [está] muito animado com o Brasil pelo processo democrático e estabilidade das suas instituições", conclui o ministro.