EDUCAÇÃO

A magia da leitura transforma jovens mentes na Escola Municipal Zilka de Oliveira

Com um acervo de quase quatro mil livros, a proposta encanta e inspira o hábito literário nas crianças.

Por Prefeitura de Maceió Publicado em 05/11/2026 às 09:00
Sala de leitura da Escola Municipal Zilka de Oliveira possui quase 4 mil livros infantis. Caio Cruz/ Ascom Semed

No Dia Nacional da Língua Portuguesa, celebrado nesta quinta-feira (5), a sala de leitura da Escola Municipal Zilka de Oliveira, no Tabuleiro do Martins, demonstra que o poder das palavras vai muito além da gramática. Ela pode despertar sonhos, ampliar conhecimentos e transformar a maneira como as crianças enxergam o mundo.

Com 20 anos de experiência na unidade de ensino e dois anos dedicados à sala de leitura, a professora readaptada Hestelane Paula utiliza os livros como instrumentos de descoberta, acolhimento e aprendizado diário com alunos do 1º ao 5º ano. Hestelane tem desenvolvido atividades que despertam nos pequenos o prazer pela literatura e pela construção das próprias histórias.

O acervo da sala de leitura da Zilka de Oliveira conta atualmente com 3.889 livros infantis e 789 títulos destinados aos professores, além de diversas revistas e dicionários. Contudo, o grande tesouro desse espaço pode estar no entusiasmo das crianças, que, ao encontrarem Hestelane pelos corredores, imediata e animadamente perguntam sobre o próximo encontro com os livros.

“Eu não consigo entrar na escola sem que eles comecem: 'tia, hoje vai emprestar livro?', 'tia, hoje a gente pode ler?' Então assim, 'tia, é o dia da gente'. Eles realmente se encantam por esse espaço. Quando a sala começou a funcionar, com as minhas contações de histórias e o incentivo à leitura, se abriu um mundo para eles. Eles são leitores ávidos, do primeiro aninho até o quinto ano”, relata a professora.

Projeto Leitura

O incentivo à literatura não se restringe apenas à sala de leitura. A Escola Municipal Zilka de Oliveira mantém cantinhos de leitura em todas as salas de aula e desenvolve o Projeto Leitura, que envolve anualmente professores, coordenação, direção e estudantes.

Neste ano, a iniciativa homenageia o 20º aniversário da escola, por meio de atividades relacionadas à trajetória da instituição e de sua fundadora. Uma das propostas consiste em trabalhar a poesia, estimulando todas as turmas a criarem seus próprios poemas.

Para enriquecer a experiência, a escola acolheu o escritor, poeta e professor da rede municipal Emanuel Galvão, integrante do projeto “Escritores Nascem na Escola”, desenvolvido pela Rede de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Educação (Semed) desde 2022. A iniciativa visa aproximar os estudantes da literatura e incentivá-los na criação de seus próprios universos literários.

Durante a oficina na Zilka de Oliveira, Emanuel compartilhou com as crianças um pouco de sua trajetória e contou sobre suas dificuldades na infância para aprender a ler e escrever.

“Minha alfabetização mesmo foi concluída no quarto ano e posso afirmar que a leitura foi extremamente importante para que eu pudesse ler, escrever e descobrir novas palavras”, relatou.

O escritor também desafiou os alunos com uma pergunta: por que os escritores nascem na escola? A resposta veio dos próprios estudantes, afirmando que é na escola que se aprende a ler e escrever.

A partir desse ponto, a atividade transformou-se em uma brincadeira com palavras, rimas e sentimentos. “Busco transmitir essa identificação com os meninos, brincando com as palavras, explicando o que é poema e poesia. A partir das palavras que eles encontram, construímos juntos um poema. E digo que a história é deles, que eles vão construir”, explica Emanuel.

Para Hestelane, o trabalho realizado na sala de leitura deve estar alinhado ao cotidiano da escola. “Os professores auxiliam com ideias, eu também compartilho as minhas com eles, assim como a coordenação e direção. Tudo é harmônico. Trabalhamos alinhados com a BNCC e o PPP da escola. A leitura é de suma importância, tanto para a alfabetização das nossas crianças quanto para que adquiram habilidades e conhecimentos sobre os gêneros textuais”, esclarece.

O Projeto Leitura terá seu encerramento em dezembro, quando cada turma apresentará uma produção com base no gênero literário escolhido pelos professores.

“Neste mês de novembro, o foco da sala de leitura é a consciência negra. Um miniprojeto foi elaborado especialmente para abordar essa temática com os alunos, que inclui a leitura do livro “Bruna e a Galinha d’Angola”, seguida da criação de panôs inspirados em tradições africanas”, revela Hestelane.

Universo da leitura

Na sala de leitura, cada criança encontra seu jeito de interagir com os livros. Algumas preferem histórias em quadrinhos, outras se encantam com poemas, aventuras ou narrativas que aguçam a imaginação. Há quem já tenha um gênero favorito e quem esteja sempre aberto a novas leituras.

A professora se dedica a conhecer os interesses dos alunos para indicar obras diversas e ampliar o repertório literário de cada um. “Quando eles vêm pegar livros para ler ou levar para casa, busco sempre direcioná-los a um gênero diferente, pois já conheço mais ou menos os gostos de cada um. Mas posso sugerir, por exemplo, uma coleção de Júlio Verne, dizendo: 'leia isso aqui, que é bom'.

Ao completar 10 anos, Ana Beatriz, aluna do 5º ano, encontrou no livro “O Velho, o Menino e o Burro” uma reflexão que levou para sua vida. “Esse livro fala sobre a opinião dos outros, que não importa, que você deve ter sua própria opinião e não precisa fazer o que os outros mandam. Eu gosto de ler e de pegar livros para levar para casa. Aprendi que tenho uma opinião própria”, revela.

A experiência evidencia como a literatura pode transcender as páginas e contribuir para a formação de crianças mais críticas, capazes de interpretar situações e construir seus próprios pensamentos.

Jhenyfe Gomes, também com 10 anos, escolheu “Eu Quero Ser Bailarina” como seu livro favorito. Além da leitura, ela criou uma relação de afeto com a sala e com a professora.

“Eu gosto de ler e também aprecio muito ficar um tempo aqui na sala de leitura, porque aqui eu encontro amor e acolhimento. A professora é muito legal e importante na minha vida, sempre fofa, divertida e engraçada”, conta.

Aos 11 anos, Laura Vitória descobriu nos mangás uma de suas paixões literárias. Apesar de não fazer parte do material enviado pela rede municipal, devido à insistência dos alunos, Hestelane conseguiu trazer seis exemplares para a sala, com a ajuda de sua filha, que também ama ler.

Esses exemplares podem ser lidos na sala, mas não podem ser levados para casa, porém, fazem grande sucesso, especialmente entre os alunos do 5º ano.

“O que eu mais gosto de fazer aqui é vir conversar com a tia sobre os livros e saber quando poderei pegar. Gosto da forma como se lê. Em vez de ler normalmente, você lê ao contrário”, detalha Laura Vitória, referindo-se à leitura dos mangás, que segue a orientação japonesa, da direita para a esquerda.

Leitura também transforma a sala de aula

O trabalho no espaço é acompanhado de perto pelos professores, que reconhecem a importância da literatura para o desenvolvimento das crianças.

Marden Tidney da Silva, professor do 5º ano A, ressalta que os momentos da turma na sala de leitura são aproveitados para diversificar experiências com textos, desenhos, pinturas e outras produções. “A sala de leitura é essencial para o crescimento e o desenvolvimento da criança. Através dos livros, eles se desenvolvem e viajam na imaginação. Retornam à sala de aula mais calmos, tranquilos e reflexivos, quando se envolvem com uma boa leitura”, observa.

O docente declara que o contato com diferentes gêneros e atividades contribui diretamente para o aprimoramento da escrita, da leitura e da capacidade de expressão dos alunos.

A professora da sala de leitura explica que as contações de histórias são especiais, especialmente com elementos além do texto. “Se for somente uma leitura de deleite, é apenas para que eles ouçam a história e gostem. Mas, utilizando dramatização, mudanças de tom de voz ou elementos visuais, seu encantamento é maior, especialmente se estiver ligado a um miniprojeto, como o que estou desenvolvendo sobre os povos africanos, onde eles geralmente produzem algo, seja artístico ou gráfico”, destaca.

Por fim, Hestelane Paula observa que incentivar a leitura é fornecer às crianças ferramentas para compreender o mundo, desenvolver habilidades e descobrir novas possibilidades. “Quando os alunos começam a procurar espontaneamente os livros, fazem perguntas sobre os próximos encontros e compartilham suas descobertas, percebo que o trabalho está gerando resultados”, conclui.