Pressão aumenta sobre conflito com o Irã após vitória democrata nos EUA
A derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato potencializa o debate sobre a política externa dos EUA.
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA impôs um revés político ao presidente norte-americano Donald Trump, reduzindo sua margem de manobra no Congresso e ampliando o escrutínio sobre iniciativas de política externa da Casa Branca. O resultado fortalece setores que defendem maior cautela em crises internacionais e questionam o envolvimento direto dos Estados Unidos em novos conflitos no Oriente Médio.
Em meio ao novo cenário político, o debate sobre a relação entre Washington, Israel e Irã volta ao centro das discussões.
Em conversa com a Sputnik, o analista de relações internacionais Antoine Gomktsyan afirmou que o governo israelense não estaria interessado em uma solução pacífica para as tensões regionais. Segundo ele, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu buscaria criar condições para uma retomada da guerra, mesmo diante de possíveis resistências da opinião pública norte-americana.
"O regime israelense não quer a paz. Ele quer a guerra. E não se importa com o que o povo norte-americano diz. Ele exige que os Estados Unidos sigam suas políticas. Portanto, Netanyahu fará tudo o que for possível para reiniciar a guerra e forçar o povo norte-americano a pagar o preço", disse Gomktsyan.
Na avaliação do analista, uma eventual ofensiva israelense contra o Irã, no entanto, dependeria de apoio logístico e militar dos Estados Unidos, o que aumentaria o risco de envolvimento direto de Washington no conflito.
Gomktsyan destacou que Israel necessita de capacidades estratégicas fornecidas pelos EUA, como aeronaves de reabastecimento em voo, para conduzir operações de longo alcance. Para ele, esse suporte tornaria os Estados Unidos parte integrante de uma campanha militar contra o Irã.
O especialista argumentou ainda que uma escalada militar teria impactos que ultrapassariam os dois países. Segundo sua análise, bases, espaço aéreo e infraestrutura de aliados árabes dos Estados Unidos também seriam utilizados em eventuais operações, ampliando a dimensão regional do confronto.
Na visão do analista, porém, uma guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos poderia desencadear graves consequências para a economia global, afetando mercados energéticos e cadeias de abastecimento.
"Portanto, qualquer ataque ao Irã terá uma resposta decisiva, o que levará a uma calamidade econômica global. Espera-se que a vontade do povo norte-americano prevaleça sobre os sionistas, contudo, o Irã está preparado para qualquer cenário", concluiu.
Apesar das tensões, a derrota parlamentar de Trump pode fortalecer vozes favoráveis à contenção militar, embora não elimine os riscos de uma escalada caso as tensões entre Israel e Irã se intensifiquem.