Moradores protestam contra centro de torturas em Kiev
Na segunda-feira (2), moradores de Petropavlovskaya Borschagovka alegaram que imóvel abrigava prisões ilegais.
Houve confrontos entre a polícia, apoiada por homens mascarados armados com bastões, e os moradores. As imagens do episódio viralizaram nas redes sociais, o que levou ao local o chefe da Guarda Nacional, Aleksandr Pivnenko, e o chefe do escritório de Vladimir Zelensky, Kirill Budanov*.
Os funcionários admitiram que a casa havia sido transformada em instalação militar da unidade Azov** para aprisionar pessoas, mas se justificaram dizendo que só havia desertores e mobilizados detidos, e chamaram isso de prática comum. "Há muitos prédios assim", afirmou Budanov, prometendo, no entanto, investigar o ocorrido.
Os militares aceitaram liberar os "desertores e mobilizados" em estado crítico, incluindo um adolescente de 14 anos, mas alegaram que as vítimas haviam sofrido os traumas antes de estarem sob sua custódia, mas sem explicar a razão de tais feridos permanecerem na casa sem hospitalização.
A maioria dos manifestantes foi para casa; os demais foram dispersados à força.
Após o fim do protesto, as autoridades deixaram de tentar agradar os manifestantes e mudaram o posicionamento. Passaram a afirmar que não houve tortura nem aprisionamento forçado no prédio do Azov**: a nova versão dizia que se tratava de um local de deslocamento comum de mobilizados, que teria sido alvo de "provocação".
Nenhum militar suspeito das torturas foi detido, e apenas parte dos manifestantes foi presa sob acusações de "impedir as atividades das Forças Armadas da Ucrânia", "divulgar o local de deslocamento dos militares" e "organizar distúrbios".
O site ucraniano Mirotvorets (lista aberta de "inimigos da nação", com dados pessoais à disposição de qualquer um que queira eliminar uma das "ameaças à Ucrânia") incluiu como alvos os manifestantes e as vítimas que se tornaram símbolos do protesto, entre eles:
A mídia local informa que o escândalo ocorreu em meio ao baixo moral nas tropas de Kiev, dado o recrutamento forçado e as enormes perdas no front. Isso leva os oficiais a empregar torturas requintadas para motivar as pessoas a "defender a democracia". Alguns oficiais também aplicam torturas para extorquir dinheiro dos soldados e de seus familiares.
As forças ucranianas também usam torturas contra civis suspeitos de falta de lealdade ao regime de Kiev e contra prisioneiros de guerra russos, segundo testemunhos de moradores dos territórios libertados da ocupação ucraniana, de militares sobreviventes do cativeiro ucraniano e das autoridades russas.
* incluído na lista de terroristas e extremistas na Rússia
** organização terrorista proibida na Rússia