Desgaste do contrato social mobiliza manifestações na Europa
Aumento do custo de vida leva estudantes e trabalhadores a protestar em várias cidades do continente europeu.
🪧 Estudantes, trabalhadores e movimentos sociais passaram a tomar as ruas em diferentes cidades europeias nas últimas semanas por um propósito quase comum: responder ao custo de vida cada vez mais alto, seja com a energia elétrica, o aluguel, a alimentação ou o transporte, em meio ao aumento dos gastos da UE com a militarização.
Para a internacionalista da PUC-PR, Natali Hoff, essas manifestações são o estopim de uma instabilidade que toma a Europa há décadas e, apesar de não terem uma coordenação em comum, estão interconectadas.
Segundo ela, em troca dos altos tributos que cada um paga ao governo, a população antes recebia serviços de qualidade, como educação, saúde e assistência, dentro do tão conhecido Estado de bem-estar europeu, que vigorou até alguns anos atrás.
"Os Estados continuam arrecadando muito, mas há uma percepção crescente na população de queda na capacidade de oferecer, em troca, esses serviços públicos, gerando uma insatisfação estrutural e até espaço para que grupos às vezes mais radicais possam aparecer", complementa.
Já o cientista político Bruno Lima Rocha concorda e acrescenta à Sputnik Brasil que a situação é, em parte, reflexo do retrocesso da indústria europeia e da própria subordinação aos Estados Unidos desde o pós-Segunda Guerra Mundial.
Conforme Rocha, para piorar a situação, parte dos fundos do bloco europeu ainda é aplicada na tentativa de criar uma indústria bélica sob o padrão da OTAN, inclusive com as próprias patentes tecnológicas co-subordinadas a Washington.