PROTESTOS

Mulheres vão às ruas na Itália contra violência de gênero: 'Nossas vidas importam'

Protestos e greve serão realizados neste domingo e segunda por feministas

Por Redação ANSA Publicado em 08/03/2026 às 19:54
Grupo feminista convocou protesto e greve em cerca de 60 cidades ANSA

O movimento feminista italiano "Non Una di Meno" ("Nem uma a menos") anunciou um novo "fim de semana prolongado" de protestos e greve nos dias 8 e 9 de março, unindo reivindicações contra a violência sexual, a desigualdade econômica e os conflitos internacionais.

O lema escolhido para este ano é: "Nossas vidas importam. Entramos em greve". O primeiro dia será marcado por marchas e manifestações em cerca de 60 cidades italianas, enquanto o segundo contará com uma greve geral transfeminista, convocada por diversos sindicatos.

O movimento enfatiza que a mobilização não se limita aos temas tradicionais, incluindo também um protesto específico contra o projeto de lei Bongiorno, que propõe alterações na legislação sobre violência sexual.

Segundo o "Non Una di Meno", as mudanças previstas têm consequências graves em contextos familiares, conjugais e laborais, e aumentam o risco de vitimização secundária nos tribunais.

Além de rejeitar o projeto de lei Bongiorno, as ativistas vão às ruas para defender políticas efetivas contra a desigualdade salarial e a precariedade feminina; criticar a licença-paternidade remunerada e a eliminação da Opzione Donna; e protestar contra as guerras e intervenções militares, incluindo ataques no Líbano, possíveis conflitos com o Irã e o uso de bases militares estrangeiras em território italiano.

O movimento ressalta a urgência de enfrentar não apenas a violência de gênero e as injustiças econômicas, mas também o impacto contínuo da guerra na vida cotidiana, "na incerteza do futuro, na precariedade de nossa existência e nas crises industriais da reconversão pós-guerra".

A entidade propõe, assim, uma greve transfeminista global, que une luta contra o trabalho produtivo e reprodutivo, o consumo e os papéis de gênero, em defesa da paz e da solidariedade internacional.

"Queremos reconstruir redes de solidariedade internacional e luta comum. Aceitamos o desafio da greve transfeminista global, que reúne a greve contra o trabalho produtivo e reprodutivo, contra o consumo e os papéis de gênero, para deter a guerra porque não queremos ser nem vítimas nem cúmplices", concluiu.

Programação em Roma

Na capital da Itália, a marcha "Una di Meno" terá início no dia 8 de março, às 17h (horário local), na Piazza Ugo La Malfa, perto do Circo Máximo. Já no dia 9, as atividades continuarão na Piazzale Ostiense, com diversas manifestações, marchas, corridas e ocupações pelo país.

No mesmo período, será inaugurada a exposição fotográfica "Mulheres por Mulheres Contra a Violência", idealizada pela Associação Consórcio Umanitas, para destacar emergências que afetam mulheres, como violência de gênero e câncer de mama.

A mostra, que apresenta 21 retratos em grande formato acompanhados de depoimentos reais, será aberta ao público de 9 a 13 de março de 2026, com entrada gratuita, na Nuvola di Fuksas.