TRAGÉDIA NA SUÍÇA

Itália entra como parte civil em processo sobre incêndio em Crans-Montana

Tragédia na Suíça matou 41 pessoas, incluindo 6 jovens italianos

Por Redação ANSA Publicado em 29/04/2026 às 16:35
Coroa de flores enviada pela Embaixada da Itália na Suíça para homenagem a vítimas em Crans-Montana ANSA

A Itália atuará como parte civil no futuro julgamento dos acusados de responsabilidade pelo incêndio ocorrido na virada do Ano Novo em um bar de Crans-Montana, concorrido destino de inverno na Suíça, tragédia que matou 41 pessoas, incluindo seis adolescentes italianos.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira (29) pelo gabinete da primeira-ministra Giorgia Meloni, confirmando uma hipótese que já vinha sendo ventilada nos últimos meses.

"A Presidência do Conselho de Ministros, por meio da Procuradoria-Geral do Estado, apresentou o ato constitutivo da República Italiana como parte civil no processo penal relativo ao incêndio ocorrido em Crans-Montana entre 31 de dezembro de 2025 e 1º de janeiro de 2026", diz um comunicado do Palácio Chigi.

"A decisão é motivada pelos danos diretos causados ao patrimônio do Estado italiano devido aos enormes recursos mobilizados pelo Serviço Nacional de Defesa Civil para assistência médica, psicológica e logística aos compatriotas envolvidos", acrescenta a nota.

A decisão chega após a Itália ter se negado a restituir 108 mil euros (R$ 634 mil) ao cantão de Valais, valor referente às despesas médicas de três italianos feridos no incêndio.

O embaixador de Roma em Berna, Gian Lorenzo Cornado, explicou que a Itália atende dois suíços em um hospital de Milão há vários meses e que a Defesa Civil da região do Vale de Aosta, que faz fronteira com o país helvético, participou dos esforços de resgate na madrugada da tragédia.

"O governo italiano reafirma o seu compromisso inabalável com o acompanhamento de todas as fases do processo judicial na Suíça, confirmando o seu apoio total e ininterrupto às famílias das vítimas e aos feridos, para que as responsabilidades sejam plenamente esclarecidas e a justiça seja feita pelos graves danos sofridos pela comunidade nacional", diz o Palácio Chigi.

A atuação como parte civil permitirá que o Estado italiano tenha representação legal no processo, podendo apresentar provas, questionar testemunhas e requisitar informações sobre o andamento das investigações, além de pleitear indenizações.

O incêndio no Constellation deixou 41 mortos e 115 feridos durante as celebrações de Ano Novo e teria sido provocado por fagulhas lançadas por velas pirotécnicas na espuma antirruído que revestia o teto do bar.

As chamas se alastraram rapidamente, e muitas pessoas não conseguiram escapar a tempo. Os proprietários do bar, Jacques e Jessica Moretti, são investigados pelo Ministério Público de Sion, assim como ex e atuais dirigentes do município de Crans-Montana, que não teriam feito as inspeções necessárias no local.

Paralelamente, o Ministério Público de Roma também realiza um inquérito sobre as causas da tragédia.