Chef é condenado na Itália por vetar comunistas e gays em vaga de emprego
Paolo Cappuccio terá de pagar indenização de 6 mil euros
O Tribunal de Trento, no norte da Itália, condenou um chef a pagar 6 mil euros (R$ 35 mil) de indenização após divulgar um anúncio de emprego que excluía candidatos "comunistas" e "com problemas de orientação sexual".
A decisão, proferida pela juíza Giuseppina Passarelli, atende a um recurso apresentado pela Confederação Geral Italiana do Trabalho (Cgil), principal sindicato do país e que será beneficiado pela indenização.
O protagonista do caso é Paolo Cappuccio, que tem anos de experiência em restaurantes com estrelas Michelin e procurava um chef, outros três cozinheiros e um confeiteiro para trabalhar em um hotel quatro estrelas de Madonna di Campiglio, concorrido destino de montanha na Itália.
"Evitem me fazer perder tempo. Estão excluídos comunistas, masterchefs e afins, pessoas com problemas de álcool, drogas e orientação sexual. Se restar algum indivíduo mais ou menos normal...", escreveu Cappuccio em uma publicação no Facebook em julho de 2025, que logo foi inundada por críticas de usuários, antes de ser apagada pelo autor.
Diante dos questionamentos, Cappuccio disse à imprensa italiana que ele "procurava colaboradores honestos, com uma ideia clara da posição deles dentro da sociedade e da equipe". Durante o processo judicial, ele também alegou que suas opiniões não se baseiam em preconceito, mas sim em uma "evidente propensão ao trabalho de determinadas categorias de pessoas em detrimento de outras".
A juíza Passarelli, no entanto, decidiu que a publicação do chef era discriminatória, já que estabelecia distinções baseadas em critérios relativos à esfera pessoal dos indivíduos. Segundo ela, o anúncio de emprego estava "em conflito" com os princípios de igualdade e solidariedade consagrados na Constituição, que "não tolera preconceitos de qualquer tipo".
"Não podemos deixar de dizer que estamos muito satisfeitos com a decisão do tribunal", afirmou Manuela Faggioni, representante da Cgil no Trentino-Alto Ádige. "Nós lutamos contra qualquer tipo de discriminação, e aquelas palavras eram inaceitáveis. Um trabalhador e uma trabalhadora podem ser julgados por suas capacidades profissionais, não pela sua filiação política ou por sua orientação sexual", acrescentou.