Adoção de criança uruguaia por ex-deputada italiana levanta dúvidas em Montevidéu
Instituição ignorou completamente condenação de Nicole Minetti
A adoção de uma criança pelo casal italiano Nicole Minetti e Giuseppe Cipriani, vista de Montevidéu, ainda apresenta diversos pontos obscuros que precisam ser esclarecidos.
A imprensa uruguaia, citando fontes confidenciais, fala abertamente em "procedimentos altamente irregulares".
Para lançar luz sobre o caso, dirigentes do Instituto Nacional da Infância e da Adolescência (Inau) apuram o ocorrido. A entidade não apenas administra processos de adoção, como também presta assistência a mais de 120 mil menores de idade, sendo cerca de oito mil em situação de vulnerabilidade.
"Trata-se de uma questão muito delicada, que estamos tratando com absoluto rigor. Estamos reunindo toda a informação necessária", disseram fontes do órgão à ANSA.
A entidade evita divulgar mais detalhes devido à sensibilidade do caso. Até o momento, segundo informou, nenhum investigador, uruguaio ou italiano, solicitou formalmente sua apuração sobre o ocorrido. Ainda assim, integrantes do instituto reconhecem que isso pode acontecer nos próximos dias, diante da gravidade do episódio.
Fontes que trabalhavam no instituto à época apontam fragilidades no processo. Duas, em especial, levantam questionamentos. A primeira diz respeito ao fato de o pedido de adoção de Minetti ter sido aceito, apesar de seus antecedentes criminais. A ex-deputada regional da Lombardia foi condenada a uma pena total de três anos e 11 meses de prisão por exploração da prostituição e peculato. Tanto em Montevidéu quanto em Roma, ter ficha criminal limpa é requisito essencial para a adoção.
Segundo as fontes, Minetti não mentiu nem apresentou documentos falsos, o que, em tese, impediria a aprovação do pedido. Ainda assim, ela teria convencido as autoridades de que os crimes pelos quais foi condenada na Itália não seriam considerados graves no contexto uruguaio.
O segundo ponto envolve a existência de outra família interessada na adoção da criança. De acordo com o relato da fonte, esse casal não possuía antecedentes criminais, mas teve seu pedido rejeitado de forma imediata.
Há ainda outro aspecto pouco claro, relacionado ao papel da mãe biológica. Em processos de adoção, o primeiro passo é a abertura de um procedimento judicial, no qual um magistrado, após avaliar a situação do menor, solicita pareceres técnicos, científicos e psicológicos para definir a melhor solução para a criança.
Nesse contexto, faltam informações sobre a conduta da mãe na fase inicial. Posteriormente, porém, ela reaparece como parte em um processo judicial, quando a adoção por Minetti ainda não estava concluída. Ao fim, a ex-deputada obteve decisão favorável, garantindo a adoção plena e definitiva da criança.