Greve na Itália fecha diversos pavilhões na Bienal de Arte de Veneza
UE voltou a cobrar organização do evento sobre participação russa
Ao menos dez pavilhões foram fechados na manhã desta sexta-feira (12) na 61ª Bienal de Arte de Veneza devido à greve nacional dos trabalhadores da cultura na Itália.
A paralisação afetou estruturas nos espaços principais do evento - Arsenale e Giardini -, atingindo pavilhões de países como Canadá, França, Finlândia, México e Luxemburgo.
Centros de arte pela capital do Vêneto também não abriram suas portas, como as casas The Human Safety Net e Smac Venice, na famosa Piazza San Marco.
Funcionários do Palazzo Manfrin, que nesta edição da Bienal recebe a mostra "Ocean Space", de Anish Kappor, também aderiram à greve, assim como várias bibliotecas venezianas.
Membros dos sindicatos participantes informaram que a greve também atingiu profissionais de livrarias e mediadores culturais na mostra internacional.
De modo paralelo à paralisação nacional dos profissionais da cultura, a Bienal de Veneza 2026 ainda enfrenta outro problema: a reabertura do pavilhão russo no evento, que além de ter acarretado inúmeros protestos, também levou à renúncia do júri internacional desta edição.
Hoje, a Comissão Europeia enviou uma terceira carta à Fundação Bienal de Veneza solicitando esclarecimentos adicionais sobre a participação de Moscou. Segundo fontes da UE, no documento, Bruxelas reitera as questões já destacadas nas duas comunicações anteriores e solicita respostas mais detalhadas sobre as tratativas restantes. A Fundação tem 30 dias para responder ao Executivo da UE.
A Comissão já ameaçou suspender a verba de 2 milhões de euros destinada à maior exposição de arte do mundo, "em prol dos valores democráticos, que não são respeitados pela Rússia" na guerra contra a Ucrânia.
No entanto, a Fundação Bienal sempre sustentou que a participação de Moscou nesta edição seguiu "o absoluto respeito às normas".