POLÍTICA

Haddad critica projeto de Derrite e alerta para riscos ao combate ao crime organizado

Ministro da Fazenda afirma que proposta enfraquece Receita e Polícia Federal, facilitando atuação de facções criminosas

Publicado em 11/11/2025 às 16:31
Renato Araújo/Câmara dos Deputados

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou nesta terça-feira (11) as mudanças propostas pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP) no projeto de lei antifacção, alertando que a medida pode abrir caminho para a consolidação do crime organizado no Brasil ao enfraquecer órgãos como a Receita Federal.

"Estão abrindo um caminho para a consolidação do crime organizado no País, com enfraquecimento da Receita Federal e da Polícia Federal", afirmou Haddad a jornalistas na sede da Fazenda. "Isso é um contrassenso que está fazendo. Agora que nós começamos a combater o andar de cima do crime organizado, você vai fazer uma lei protegendo o andar de cima do crime organizado?", questionou.

Segundo o ministro, a aprovação do relatório colocaria em xeque operações como a Cadeia de Carbono, deflagrada pela Receita contra a máfia dos combustíveis no Rio de Janeiro. Haddad destacou que o Fisco está "incomodado" com o texto, devido à possível perda de prerrogativas.

"Você está esvaziando os órgãos federais que combatem o crime organizado no País, na minha opinião, para fortalecer quem? O próprio crime organizado", reforçou o ministro.

Haddad explicou ainda que o relatório pode impactar operações em andamento, pois exige o trânsito em julgado para crimes que a Receita Federal já autua e aplica pena de perdimento, como no caso de contrabando. Para ele, isso coloca em risco mecanismos eficazes no combate ao crime organizado.

O ministro também afirmou que Derrite, atualmente licenciado do cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo, não dialogou com os ministérios da Fazenda ou da Justiça antes de apresentar o relatório. Haddad disse que levará as preocupações ao conhecimento dos deputados.