POLÍTICA E MEIO AMBIENTE

Plínio critica COP 30 e diz que conferência ignora a realidade amazônica

Senador do Amazonas afirma que evento internacional privilegia discursos e deixa de lado as necessidades concretas da população local

Publicado em 11/11/2025 às 19:24
Plínio Valério (PSDB-AM) Waldemir Barreto/Agência Senado

Em pronunciamento no Plenário nesta terça-feira (11), o senador Plínio Valério (PSDB-AM) criticou a 30ª Conferência das Partes da ONU sobre mudanças climáticas (COP 30), realizada em Belém, por, segundo ele, repetir o padrão de encontros anteriores ao priorizar discursos políticos sem resultados práticos. O parlamentar afirmou que o evento, que deveria buscar soluções para a crise climática, tem se tornado palco de promessas e iniciativas distantes das reais necessidades da Amazônia.

— A COP não mostra a verdadeira Amazônia. Nove a dez milhões de amazônidas não têm renda para comprar uma cesta básica. O Amazonas é o maior estado da Federação, rico em minerais, e 58% da população vive abaixo da linha da pobreza. Já vivemos 30 COPs em que os discursos são sempre os mesmos, as promessas idênticas e os fracassos cada vez mais evidentes. Basta ver o que ocorreu no Acordo de Paris, firmado por 190 países que prometiam limitar o aquecimento global a 1,5°C e criar um fundo de US$ 100 milhões anuais. Nada disso sai do papel — afirmou.

Plínio também fez críticas à proposta brasileira de criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (FTTT), apresentada pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A iniciativa prevê remunerar países que preservarem suas florestas tropicais, destinando 20% dos recursos a povos indígenas e comunidades tradicionais. Para o senador, o projeto carece de transparência quanto aos valores e à origem dos recursos internacionais, além de ignorar a necessidade de geração de emprego e renda na região. Ele ressaltou ainda que os investimentos anunciados não chegam à população amazônica, que segue enfrentando pobreza e falta de infraestrutura básica.

— Essa gente nos condena a uma pobreza eterna. Querem nos colocar, nos impingir uma pobreza eterna. A Amazônia não salva nada — a Amazônia, que é 1% de todo o território do planeta. Não vão colocar nos meus ombros. Eu não vou salvar o planeta. Eu não vou, porque quem mais reclama é quem mais produz. É muita hipocrisia — declarou.