DIREITOS DOS TRABALHADORES

Avança projeto que realoca trabalhadores de estatais do setor elétrico privatizadas

Proposta aprovada na CCJ garante transferência de funcionários para outras empresas públicas em caso de privatização, com salários e funções compatíveis.

Publicado em 26/11/2025 às 15:30
Relator, Petecão defendeu que trabalhadores concursados não podem ser prejudicados pelas privatizações Fonte: Agência Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, nesta quarta-feira (26), o projeto de lei que assegura aos trabalhadores de estatais federais do setor elétrico, que forem privatizadas, o direito de serem realocados em outras empresas públicas. O PL 1.791/2019, originado na Câmara dos Deputados, recebeu parecer favorável do relator, senador Sérgio Petecão (PSD-AC), e agora segue para votação no Plenário do Senado, com requerimento para tramitação em regime de urgência.

O projeto altera a Lei 12.783, de 2013, que regulamenta as concessões dos serviços de energia elétrica à iniciativa privada. De acordo com o texto, passa a ser obrigatória a realocação, em outras empresas públicas ou de economia mista, dos trabalhadores responsáveis pela produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica das estatais privatizadas pelo Programa Nacional de Desestatização, caso não optem por permanecer na nova empresa. Esses profissionais deverão ser transferidos para cargos com atribuições e salários compatíveis aos que exerciam anteriormente. A medida também se aplica a trabalhadores de empresas já desestatizadas.

O senador Sérgio Petecão destacou que, embora a privatização de estatais seja frequentemente justificada pela busca de maior eficiência econômica, ela pode trazer impactos sociais negativos, como o aumento do desemprego entre servidores concursados. Para o relator, a proposta representa uma forma de justiça para os trabalhadores que perderam a estabilidade e a principal fonte de renda.

Petecão lembrou que, desde a privatização da Eletrobras, entre 2021 e 2023, foram registrados 3.614 desligamentos nas empresas do grupo, sendo a maioria de profissionais com mais de 50 anos de idade. “Estamos falando de mais de 3,6 mil pais e mães de família em situação difícil. São todos concursados, mão de obra especializada e altamente qualificada”, ressaltou.

Segundo ele, além de proteger os direitos dos trabalhadores, o projeto beneficia o Estado brasileiro ao permitir o retorno de profissionais experientes e capacitados ao serviço público.

Os senadores Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e Marcos Rogério (PL-RO) também elogiaram a proposta, destacando que ela protege servidores admitidos por concurso público. “O que o Senado Federal e esta comissão fazem neste momento é reconhecer o direito dessas pessoas e dar a elas o tratamento honrado que merecem, pois sempre trabalharam com dedicação pelo Brasil, em todos os estados da Federação”, afirmou Mecias de Jesus.