JUSTIÇA INTERNACIONAL

Audiência de extradição de Zambelli na Itália é adiada para dezembro

Sessão que analisaria pedido de extradição da deputada federal foi remarcada para 4 de dezembro; defesa e Ministério Público italiano ainda podem recorrer da decisão

Publicado em 27/11/2025 às 11:36
Carla Zambelli Michel Jesus/Câmara dos Deputados

A Justiça italiana adiou para o dia 4 de dezembro a audiência que analisaria o pedido de extradição da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil. Inicialmente, a sessão estava prevista para as 9h (horário de Brasília) desta quinta-feira, 27, mas foi remarcada, segundo informou a assessoria da parlamentar.

Zambelli está presa na Itália desde junho, após deixar o Brasil pouco depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar sua prisão. Após a fuga, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) adotasse as medidas necessárias para a extradição da deputada. A AGU representa o governo brasileiro na ação que tramita na Justiça italiana.

O processo corre na Corte de Apelação de Roma. Independentemente do resultado, tanto a defesa de Zambelli quanto o Ministério Público italiano — que já se manifestou favorável à extradição — poderão recorrer à Corte de Cassação. A decisão final caberá ao Ministério da Justiça da Itália, país atualmente governado pela primeira-ministra Giorgia Meloni, líder do partido de direita radical Fratelli d'Italia (Irmãos da Itália).

A deputada foi condenada duas vezes pelo STF. Na primeira ação, recebeu pena de dez anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto, que afirmou ter sido contratado por ela para inserir documentos falsos no sistema, incluindo um mandado de prisão contra Moraes. Após essa sentença, Zambelli deixou o país e foi presa na Itália em operação conjunta da Polícia Federal e autoridades locais.

Na segunda condenação, o STF impôs pena de cinco anos e três meses, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, com determinação de perda do mandato após o trânsito em julgado.

Além do processo de extradição, Zambelli enfrenta pedido de cassação de seu mandato na Câmara dos Deputados. Após análise da Comissão de Constituição e Justiça, o caso segue para o plenário, onde são necessários ao menos 257 votos para a cassação. Embora o STF tenha determinado a perda imediata do mandato, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu que a decisão deve passar pela apreciação dos deputados.