SAÚDE PÚBLICA

Comissão discute escassez de medicamentos psiquiátricos em farmácias brasileiras

Audiência pública na Câmara busca soluções para desabastecimento de remédios essenciais ao tratamento de transtornos mentais graves.

Publicado em 05/12/2025 às 10:24
Audiência na Câmara debate falta de remédios psiquiátricos e impactos no tratamento de pacientes. Depositphotos

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados promove, nesta terça-feira (9), uma audiência pública para debater a falta de medicamentos de uso psiquiátrico nas farmácias do país.

O encontro, solicitado pelo deputado Luiz Couto (PT-PB), está marcado para as 10 horas, no plenário 9.

De acordo com Luiz Couto, em abril de 2025, a empresa Sanofi comunicou a transferência dos registros dos medicamentos AmpliCTIL, Equilid, Neozine e Neuleptil — utilizados no tratamento de transtornos psiquiátricos graves — para a Blanver Farmoquímica e Farmacêutica S.A., representante da Neuraxpharm no Brasil.

Desde então, esses produtos foram descontinuados, sem informações claras sobre prazos para retorno ao mercado ou alternativas terapêuticas, o que tem deixado pacientes e profissionais de saúde em situação de vulnerabilidade.

O parlamentar ressalta que a ausência desses medicamentos impacta diretamente os pacientes, que ficam expostos a crises agudas e agravamento de quadros crônicos, além de afetar os serviços públicos de saúde mental e deixar as famílias desamparadas.

"A gravidade da situação exige a mobilização do Parlamento, dos órgãos de regulação sanitária e da sociedade civil para buscar alternativas imediatas e estruturais", defende Luiz Couto.

Entre as medidas consideradas urgentes pelo deputado, estão:

  • esclarecimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a regularidade do processo de transferência e registro;
  • posicionamento da indústria farmacêutica quanto à retomada ou substituição da produção;
  • ações emergenciais do Ministério da Saúde para garantir a continuidade do tratamento dos usuários; e
  • discussão, por especialistas em psiquiatria e saúde pública, de protocolos alternativos e estratégias de mitigação.